China prende dois ex-executivos por tráfico de informações

A China prendeu ex-executivos de duas corretoras de valores por suspeita de tráfico de informação privilegiada, disse a agência de regulamentação financeira do país, como parte de um esforço para combater irregularidades no mercado.

REUTERS

26 de dezembro de 2011 | 09h05

A Comissão Reguladora de Títulos da China (CRTC) detalhou em seu site quatro casos já investigados de manipulação de mercados e tráfico de informações. Isso inclui os dois casos que levaram à prisão dos ex-executivos da Southwest Securities Co Ltd e da Northeast Securities Co Ltd.

O novo diretor da CRTC, Guo Shuqing, tem se destacado pelo empenho em dar mais transparência ao mercado acionário chinês, que apresenta avanços tímidos, apesar do crescimento econômico nacional próximo dos 10 por cento.

No caso da Northeast Securities, o ex-gerente Qin Xuan usou informações obtidas no processo de re-estruturação de um laboratório farmacêutico para especular com ações da empresa na Bolsa de Shenzhen. Ele também teria passado informações a um amigo.

No outro caso, Ji Minbo, ex-vice-presidente da Southwest Securities, ganhou 20 milhões de iuanes (3,2 milhões de dólares) comercializando mais de 40 papéis entre 2009 e 2011, valendo-se de informações sigilosas, segundo a CRTC.

Os dois outros casos citados pela agência envolvem consultorias financeiras que usavam comentaristas, relatórios de pesquisa e reportagens na imprensa para valorizar artificialmente ações em seu poder.

A campanha chinesa por mais transparência no mercado acionário já resultou na condenação a 7 anos de prisão, em agosto, do ex-analista de ações Wang Jiahzhong, que era acusado de especulação nas Bolsas. Ele também foi condenado a multa de 125 milhões de iuanes e à perda do lucro fraudulento.

Guo disse num discurso no começo do mês que a agência reguladora vai se empenhar incansavelmente no combate a fraudes contábeis, tráfico de informações e outras atividades ilegais.

Neste mês, a agência havia revelado o maior escândalo de manipulação acionária já descoberto na China, em que a empresa de investimentos Guangdong Zhonghengxin ganhou 426 milhões de iuanes lidando com 552 ações.

Recentemente, a CRTC também publicou regras exigindo que empresas com ações nas Bolsas mantenham registros sobre todas as pessoas que possam ter acesso a informações capazes de alterar as cotações.

(Reportagem de Samuel Shen e Jason Subler)

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