China prende funcionário suspeito de espionar para os EUA

Funcionário foi detido há meses e informação foi mantida em sigilo para evitar nova crise

REUTERS

01 de junho de 2012 | 17h30

HONG KONG - Um funcionário da segurança estatal chinesa foi detido sob suspeita de espionar para os Estados Unidos, disseram fontes ligadas ao caso, que foi mantido em sigilo por ambos os países nos últimos meses, numa tentativa de evitar uma nova crise nas relações bilaterais.

O funcionário, assessor de um vice-ministro da Segurança Estatal, foi detido neste ano sob a acusação de ter transmitido a Washington, no decorrer de vários anos, informações sigilosas a respeito das atividades chinesas de espionagem internacional, de acordo com três fontes com acesso direto ao assunto.

O assessor teria sido recrutado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) para fornecer "inteligência política, econômica e estratégica", disse uma fonte, embora não esteja claro qual fosse o nível de informação ao qual ele tinha acesso, ou se espiões chineses no exterior tiveram seu trabalho comprometido devido à atuação dele.

A prisão ocorreu entre janeiro e março, e o suspeito, que fala inglês, recebeu centenas de milhares de dólares por seu trabalho, segundo uma das fontes. "A destruição foi enorme", acrescentou outra.

Todas as fontes falaram sob condição de anonimato, por temerem punições caso se identificassem. A chancelaria chinesa não se respondeu a um pedido por fax para fazer comentários, na sexta-feira, 1º.

As fontes não revelaram o nome do suposto espião nem do vice-ministro para o qual ele trabalhava. O vice-ministro foi suspenso e está sendo interrogado, disse um dos informantes.

O Ministério da Segurança Estatal raramente divulga os nomes dos seus funcionários, e nem tem um site público.

Esse é o mais grave incidente de espionagem entre EUA e China desde 1985, quando Yu Qiangsheng, funcionário da inteligência chinesa, desertou para os Estados Unidos.

Yu contou aos norte-americanos que um analista aposentado da CIA estava espionando para a China. O analista se suicidou em 1986 numa prisão dos EUA, dias antes de ser sentenciado a uma longa pena de prisão.

A revelação do caso ocorre num momento delicado para as relações sino-americanas, que recentemente foram postas à prova por causa das peripécias do dissidente Chen Guangcheng, que fugiu da prisão domiciliar no interior chinês e passou seis dias refugiado na embaixada dos EUA em Pequim, antes de ser autorizado a se exilar em Nova York.

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