China prende jornalista em meio à repressão contra rumores

Liu Hu foi preso após denúncias postada em sua conta em microblog chinês

O Estado de S. Paulo,

10 de outubro de 2013 | 18h34

PEQUIM - Um jornalista investigativo chinês que acusou autoridades de corrupção foi preso nessa quinta-feira, 10, disse seu advogado, tornando-se o mais recente de uma série de críticos ao governo a ser detido pela repressão de Pequim contra rumores.

Liu Hu, um repórter do jornal de Guangzhou New Express, foi detido sob a acusação de difamação em 30 de setembro, confirmou o advogado, Zhou Ze. Liu já havia sido detido antes, no fim de agosto, na metrópole de Chongqing, sudoeste da China, sob a suspeita de "fabricar e espalhar rumores".

A repressão chinesa à "promoção de rumores" na Internet, vista por muitos como um instrumento para conter a crítica ao Partido Comunista no poder, esfriou o discurso político, com blogueiros famosos alegando ter segurado publicações delicadas devido ao medo de detenção.

Advogados e ativistas classificaram a repressão como uma significativa, se não grosseira, expansão dos poderes para controlar a Internet e um golpe contra aqueles que usam microblogs para disseminar informação, meio menos monitorado do que a estritamente controlada mídia tradicional.

Em 29 de julho, Liu acusou o vice-diretor de um órgão estatal de gestão da indústria e comércio, Ma Zhengqi, de negligência quando era secretário do partido em um distrito de Chongqing. Liu publicou essas denúncias em seu microblog.

"É impossível que passar essas informações constitui a propagação deliberada de informações falsas ou a fabricação e transmissão intencional de informação", disse Zhou. "Portanto, não constitui difamação."

Zhou disse também que a acusação feita a seu cliente foi por "crime de expressão" e que o governo pode estar agindo em retaliação a Liu por causa de suas detalhadas denúncias contra várias autoridades, incluindo muitos de alto escalão em muitas províncias.

O microblog de Liu foi tirado do ar. Autoridades de Chongqing não comentaram o caso. / REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
Chinarepressãojornalista

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.