China pressiona EUA após venda de armas para Taiwan

Vendas poderiam afetar a cooperação com os americanos em outros temas regionais e internacionais

AE-AP, Agencia Estado

30 de janeiro de 2010 | 11h25

A China ameaçou neste sábado impor sanções a empresas norte-americanas que venderem armamentos para Taiwan. O Ministério de Relações Exteriores, o Ministério de Defesa e o Escritório de Relações com Taiwan da China apresentaram suas próprias advertências, incluindo alertas de que as vendas poderiam afetar a cooperação com os americanos em outros temas regionais e internacionais.

"Os EUA devem ser responsabilizados pelas sérias repercussões, se não reverterem imediatamente a decisão errada de vender armas para Taiwan", disse o vice-ministro de Relações Exteriores da China, He Yafei, ao embaixador norte-americano em Pequim, Jon Huntsman. O representante chinês afirmou que Taiwan era o "tema central mais importante e mais sensível nas relações sino-americanas", segundo declarações transmitidas pelo site do Ministério de Relações Internacionais.

A administração do presidente dos EUA, Barack Obama, notificou o Congresso norte-americano, na sexta-feira, sobre a proposta de venda de armas para Taiwan. O pacote de US$ 6,4 bilhões incluiria helicópteros Black Hawk, sistemas de defesa antiaérea Patriot, modelo "Advanced Capability-3", e dois navios varredores de minas da classe Osprey.

O Black Hawk, um helicóptero de transporte tático, é construído pela Sikorsky Aircraft, unidade da United Technologies Corp. O míssil Patriot foi desenvolvido pela Lockheed Martin Corp, em conjunto com a Raytheon Co. "A China vai impor sanções correspondentes às companhias norte-americanas que se envolverem em vendas de armamentos para Taiwan", afirmou o Ministério de Relações Exteriores chinês, sem identificar os alvos das medidas.

A China também postergará os contratos militares entre os dois lados, assim como consultorias sobre segurança estratégica, controle armamentista e de não-proliferação de armas. "Será inevitável que a cooperação entre a China e os EUA sobre assuntos regionais e internacionais seja afetada", declarou o Ministério de Relações Exteriores.

Crise econômica

Washington tem buscado o apoio da China para superar a crise financeira global, lidar com o Irã e a Coreia do Norte e combater as mudanças climáticas. A venda de armas dos EUA para Taiwan é mais um fator da turbulenta relação entre os países, que envolve temas como desequilíbrios comerciais, disputas cambiais, direitos humanos, acesso à internet e situação do Tibete.

Recentemente, Washington and Pequim trocaram farpas sobre a política de acesso à internet, após a gigante norte-americana Google ameaçar desativar seu portal e fechar seus escritórios na China. A ameaça é uma resposta aos ataques virtuais que atingiram os serviços da empresa no meio de dezembro e à censura imposta pelo governo local.

Taiwan

O Ministério da Defesa de Taiwan, no entanto, saudou a decisão de Washington. "A venda de armas para Taiwan nos dá maior confiança de que conseguiremos uma solução amigável na nossa relação com a China e vai ajudar a promover a paz no Estreito de Taiwan."

Sob a administração do presidente Ma Ying-jeou, Taiwan tem procurado, desde 2008, atenuar as tensões com a China continental e expandir as alianças econômicas. Mas o país mostra-se preocupado com a vantagem militar chinesa. O Escritório de Relações China-Taiwan afirmou que a venda de armamentos "areja as chamas de independência de Taiwan" e seria um "obstáculo para o desdobramento de relações pacíficas".

Taiwan é governada separadamente desde 1949, quando forças nacionalistas fugiram para a ilha, escapando do poderio comunista. Desde então, Pequim tem defendido a reunificação com o continente e já ameaçou realizar um ataque, caso a ilha declare formalmente sua independência.

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