China pretende aumentar proteção a autores de denúncias de corrupção

Para governo, alto índice de corrupção no país é uma das principais causas de descontentamento da opinião pública

Efe,

22 de junho de 2010 | 04h00

PEQUIM - O Legislativo chinês prepara uma emenda para aumentar a proteção das pessoas que informem às autoridades sobre casos de corrupção, depois da revelação de que 70% destes confidentes acabam sofrendo represálias, indicou nesta terça-feira, 22, a imprensa oficial.

A reforma da Lei de Supervisão Administrativa está sendo debatida pela Assembleia Nacional Popular, e estabelecerá, de acordo com a agência Xinhua, castigos para pessoas que revelem informação pessoal sobre esses confidentes.

Segundo a Promotoria Popular Suprema da China, 70% dos casos de corrupção descobertos no país são investigados a partir de informação fornecida por de denúncias, mas a mesma porcentagem destes informantes acaba sofrendo represálias, principalmente a perda de seus postos de trabalho.

O governo acredita que o alto índice de corrupção no país, especialmente em nível de Administrações locais, é um dos principais causadores de descontentamento e críticas da opinião pública em relação as autoridades, por isso a luta contra estes delitos é um dos objetivos primordiais de sua política interna.

Para estimular a delação, as autoridades chinesas chegaram a oferecer recompensas de até US$ 28 mil a alguns dos confidentes, e estabeleceram uma linha de telefone e páginas na internet para favorecer as acusações anônimas, substituindo a habitual técnica das cartas escritas ou as entrevistas pessoais.

Isso faz com que 60% das informações sobre possíveis casos de corrupção sejam anônimas, algo lamentado pelas autoridades chinesas, pois assinalam que "mostram a desconfiança no sistema judiciário".

Nos primeiros quatro meses do ano, a Promotoria Popular Suprema chinesa averiguou 15.832 altos cargos públicos por possível casos de corrupção, um aumento do 5,8% em relação ao ano passado.

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