Jason Lee/Reuters
Jason Lee/Reuters

China prevê expansão e modernização militar nos próximos anos

Em Congresso, comando chinês amplia planos para a Defesa e busca preparo para uma 'guerra local'

Felipe Corazza, enviado especial, e Cláudia Trevisan, correspondente,

08 de novembro de 2012 | 11h18

PEQUIM - Os planos elaborados pelo Partido Comunista chinês para os próximos cinco anos, que serão aprovados no 18º Congresso que ocorre em Pequim, dão especial atenção à modernização das Forças Armadas e à expansão marítima do país. Em seu discurso de abertura do encontro, o presidente Hu Jintao afirmou que um dos principais objetivos da China é estar preparada para "vencer uma guerra local na era da informação".

 

O presidente indicou que o país deve avançar no uso de tecnologia de ponta para o combate, enquanto aprofunda a aproximação entre militares e civis. "Devemos aumentar nossa capacidade de inovação na área de Defesa, modernizar a estrutura organizacional militar e construir um sistema de forças militares modernas com características chinesas", afirmou. Entre os pontos do plano quinquenal está melhorar a capacidade de pesquisa e construção de armamentos pesados.

 

A situação da Marinha foi especialmente destacada por Hu durante sua fala, trazendo ao centro do palco do congresso as recentes disputas com Japão e Vietnã. "Precisamos melhorar nossa capacidade de explorar recursos marítimos, defender com vigor os interesses marítimos chineses e transformar a China em uma potência marítima", disse.

 

A China tem as maiores Forças Armadas do mundo, com cerca de 2,3 milhões de integrantes. Destes, quase 250 mil estão na Marinha. O país tem 962 embarcações militares, sendo 10 submarinos nucleares, 25 destróieres e um porta-aviões. Em outubro, o partido já realizou uma troca do Estado Maior das Forças Armadas. O general Ma Xiaotian, de 63 anos, foi nomeado comandante da Força Aérea, no lugar do general Xu Qiliang, de 50 anos. Todos os comandantes respondem à Comissão Militar Central do partido.

 

A modernização e o domínio marítimo mencionados pelo presidente em seu discurso passam pela disputa com o Japão pela posse das ilhas Diaoyu (Senkaku, para os japoneses). Em setembro, Tóquio anunciou que compraria as ilhas, até então pertencentes a uma família, por cerca de US$ 26 milhões. Dias depois, o governo chinês anunciou que pretende usar aviões não tripulados para vigiar o território que considera seu. Um projeto experimental para testar as aeronaves já está em andamento desde o mesmo mês na província de Jiangsu, região costeira que teve violentos protestos contra os japoneses em outubro.

 

Outra questão marítima recente foi o recrudescimento da disputa com o Vietnã pela ilha de Nansha em maio de 2011. A marinha chinesa atacou embarcações de exploração de petróleo vietnamitas. O Vietnã ocupa a ilha reivindicada pelos chineses. Menos de dois meses depois, a China decidiu criar uma escolta regular para barcos pesqueiros do país na região, enquanto Hanói anunciava um exercício militar na ilha. O impasse continua enquanto a China propõe que seja resolvido de forma bilateral e o Vietnã insiste em levar a disputa a organismos internacionais.

 

*Felipe Corazza viajou a Pequim a convite do governo chinês 

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