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China proíbe abertura de mesquitas em Urumqi

Cidade foi palco de violência entre chineses han e muçulmanos uigures nos últimos dias

10 de julho de 2009 | 07h54

A tensão voltou a aumentar em Urumqi nesta sexta-feira, 10, com a decisão do governo de fechar as mesquitas, o que impediu os uigures de fazer as orações de sexta-feira. Apesar da medida, muitos chineses muçulmanos foram às mesquitas e pelo menos um dos templos foi aberto depois de um grande grupo começar a rezar em seu pátio interno. A polícia antidistúrbios dispersou uma pequena manifestação de uigures que deixavam as orações, prendendo várias pessoas.

 

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Os uigures estavam revoltados com o fechamento das mesquitas e consideram a decisão um reflexo da repressão religiosa a que se julgam submetidos. Uma multidão se formou perto da Mesquita Branca, ao lado dos policiais armados com submetralhadoras, enquanto veículos blindados bloquearam as ruas no entorno do edifício e um helicóptero sobrevoava a região, no primeiro sinal de instabilidade dias após conflitos. Centenas de uigures lotaram a mesquita após autoridades terem decidido fechar mesquitas nos principal dia de orações para os muçulmanos para tentar minimizar as tensões.

 

Dezenas de milhares de uigures eram esperados para as rezas desta sexta-feira, mas as autoridades colocaram avisos nas mesquitas, instruindo as pessoas a permanecerem em casa. Responsáveis por assuntos religiosos da região de Xinjiang recomendaram aos crentes que cumpram o "salah" ou reza (um dos cinco pilares do Islã) em seus lares, algo que disseram ser habitual em tempos de pragas ou distúrbios sociais. Fontes afirmaram que a decisão foi uma medida de segurança pública. Desde domingo, a cidade vem sendo palco de violência entre membros das comunidades han (chineses) e uigur (muçulmanos), com pelo menos 156 mortos e mais de mil feridos.

 

Segundo a BBC, o clima na cidade é tenso, com milhares de soldados e policiais patrulhando bairros uigures e outros pontos do centro. As autoridades prometeram usar "punições severas" a quem se envolver em episódios de violência. Acredita-se que mais de 1,4 mil pessoas estejam detidas. Há informações de que milhares de pessoas - tanto hans como uigures - teriam começado a sair da cidade.

 

Na quinta-feira, o governo chinês afirmou ter provas de que a violência em Urumqi foi iniciada por pessoas envolvidas com a rede Al-Qaeda e com outros grupos militantes. Apesar das declarações, o porta-voz do Ministério do Exterior, Qin Gang, não apresentou provas que supostamente confirmariam as acusações. Segundo Gang, o governo espera que a comunidade internacional ajude a China a manter a estabilidade social no país.

 

A província de Xinjiang, onde se concentra a minoria uigur, tem sido palco de tensões há muitos anos, com a chegada cada vez maior de migrantes Han. Muitos uigures vinham expressando sua insatisfação com a discriminação e com as poucas oportunidades de participar do crescimento econômico chinês.

 

Texto atualizado às 12h15.

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