AFP PHOTO / POOL / Mark Schiefelbein
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China 'não ficará parada' se EUA prejudicarem suas relações comerciais

Pequim afirmou nesta terça-feira que tomará 'medidas apropriadas para defender seus direitos' após o presidente americano, Donald Trump, ordenar na véspera uma avaliação sobre as políticas comerciais chinesas

O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 00h48
Atualizado 15 Agosto 2017 | 10h42

PEQUIM - A China "não ficará parada" caso os Estados Unidos adotem medidas que possam "prejudicar seus intercâmbios comerciais", advertiu nesta terça-feira o ministério chinês do Comércio, após Washington anunciar uma investigação sobre as práticas da China em matéria de propriedade intelectual.

"Se os Estados Unidos adotarem medidas que possam prejudicar os intercâmbios comerciais bilaterais (...) a China não vai ficar parada e tomará, sem dúvida, as medidas apropriadas para defender com força seus direitos", informou o ministério.

O presidente americano, Donald Trump, assinou na Casa Branca um pedido ao representante comercial dos Estados Unidos Robert Lighthizer para que examine se as políticas comerciais da China prejudicam investidores ou companhias americanas em relação à propriedade intelectual.

"Enfrentaremos qualquer país que ilegalmente force as companhias americanas a transferir sua valiosa tecnologia como condição para ter acesso a seu mercado. Combateremos a falsificação e a pirataria que destroem empregos americanos", prometeu Trump. 

"Protegeremos os direitos de propriedade intelectual, patentes, marcas registradas, segredos comerciais e qualquer propriedade intelectual vital para nossa segurança e prosperidade."

Trump destacou que Washington não tolerará mais que Pequim "roube" segredos industriais americanos, uma das maiores preocupações das empresas que buscam ter acesso ao gigantesco mercado chinês. Logo após o anúncio do presidente americano, ainda na segunda-feira, Pequim advertiu que se houver uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo "todos perderão".

"China e Estados Unidos deveriam continuar trabalhando juntos para um desenvolvimento firme e sustentável das relações econômicas", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying.

"Travar uma guerra comercial não tem futuro. Não haverá um ganhador", acrescentou, lembrando que todos os países da Organização Mundial de Comércio (OMC) devem respeitar as normas.

A investigação sobre a propriedade intelectual se soma às várias lançadas por Washington sobre as práticas comerciais da China, especialmente nos setores de aço e alumínio.

O início de uma investigação não supõe uma confrontação imediata. Lighthizer deve encontrar primeiro indícios de práticas ilegais antes de abrir uma investigação formal, o que pode levar quase um ano, disseram funcionários americanos.

Na semana passada Washington anunciou sanções preliminares contra a importação de lâminas de alumínio da China, mas até agora os Estados Unidos não adotaram sanções contra produtos chineses.

Trump deu a entender que sua hostilidade às práticas comerciais chinesas poderia ser atenuada se Pequim ajudar a controlar a Coreia do Norte, um país dotado de armas nucleares. 

"Se China nos ajudar, me sentiria muito diferente quanto ao comércio", disse na semana passada. Funcionários americanos afirmaram, no entanto, que não existe relação alguma entre as sanções comerciais e o programa nuclear norte-coreano.

Pequim disse o mesmo na segunda-feira. "São assuntos totalmente diferentes, e não é apropriado usar um como ferramenta para pressionar o outro", afirmou a chancelaria chinesa. / AFP e EFE

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