REUTERS/Andres Martinez Casares
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China promete manter investimentos na Venezuela apesar da crise no país

Agravamento da situação venezuelana colocou a China em uma encruzilhada, na qual deve decidir se suspende suas linhas de crédito a Caracas e contribui para o colapso da economia local ou mantém balões de oxigênio na esperança de recuperar seus investimentos no longo prazo

Cláudia Trevisan, enviada especial / Pequim, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 13h44

O governo chinês continuará a investir na Venezuela, a despeito da crise em que o país caribenho está mergulhado, disse nesta sexta-feira o vice-diretor-geral de América Latina do Ministério das Relações Exteriores, Zhang Run. Entre 2005 e 2016, Pequim garantiu US$ 141 bilhões em financiamentos para a região, quase metade dos quais destinados às gestões de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

O agravamento da situação venezuelana colocou a China em uma encruzilhada, na qual deve decidir se suspende suas linhas de crédito a Caracas e contribui para o colapso da economia local ou mantém balões de oxigênio na esperança de recuperar seus investimentos no longo prazo. Em entrevista coletiva depois do encontro entre os presidentes Michel Temer e Xi Jinping, Zhang ressaltou que a grande complementariedade entre a América Latina e a China não será afetada por “mudanças momentâneas”.

No período de 2005 a 2016, Pequim garantiu US$ 62,2 bilhões em financiamentos à Venezuela, quase metade do total de US$ 141 bilhões concedidos à toda a região. O Brasil aparece em segundo lugar, com US$ 36,8 bilhões, segundo dados pela China Latin America Finance Database, do Inter-American Dialogue. A maior parte dos recursos foi vinculada a projetos de fornecimento de petróleo à China. O agravamento descontrolado da crise colocaria em xeque a recuperação desses empréstimos por Pequim.

“A China continuará a encorajar empresas chinesas a participarem de maneira ativa na colaboração econômica e comercial com países da América Latina, incluindo Brasil e Venezuela”, afirmou Zhang.

A relação de Caracas com Pequim e Moscou ganhou especial importância depois de os Estados Unidos anunciarem sanções contra a economia Venezuelana, no mês passado. As medidas impedem que indivíduos e empresas baseados nos EUA comprem bônus ou ações emitidos pelo governo ou estatais venezuelanas, o que restringe de maneira drástica as fontes de financiamento do país.

Em julho, a Standard & Poor’s rebaixou mais uma vez a nota soberana da Venezuela e alertou que o país poderia dar calote de sua dívida no prazo de seis meses. As reservas internacionais do país caíram abaixo de US$ 10 bilhões em julho, para o mais baixo patamar em 20 anos. Entre outubro e novembro, Caracas terá de honrar vencimentos no valor de US$ 3,5 bilhões. No próximo ano, os pagamentos somam US$ 9,6 bilhões.

O impacto das sanções americanas dependerá em grande medida do comportamento da China e da Rússia, dois dos principais aliados externos de Maduro. Moscou socorreu Caracas nos últimos meses por meio de investimentos em ativos da petroleira estatal PDVSA, tendo como garantia a entrega de petróleo. As declarações de Zhang são uma indicação de que a China pretende continuar a sustentar o atual governo do país. 

 

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