China promete reprimir líderes de revolta em vila

O governo da China tenta conter a revolta numa pequena vila de pescadores, oferecendo-se para investigar a ocupação de terras que deu início à rebelião e promete punir os líderes do levante. Há meses a vila de Wukan, que tem 20 mil habitantes, tem registrado protestos de moradores locais, que dizem que autoridades venderam fazendas para investidores sem seu consentimento.

AE, Agência Estado

15 de dezembro de 2011 | 11h54

Os protestos contra má conduta das autoridades são cada vez mais comuns na China. Na quarta-feira, o prefeito da cidade de Shanwei, à qual da vila de Wukan é subordinada, ameaçou tomar medidas duras contra os que instigaram a população a criar problemas e a danificar propriedade pública, informou a agência oficial de notícias China News Service.

Ao mesmo tempo, o prefeito Wu Zili prometeu investigar os funcionários locais por má conduta e impôs um congelamento temporário aos projetos de desenvolvimento em fazendas até que a maioria dos moradores esteja satisfeita com as condições de transferências de terras.

Os líderes do protesto praticamente tomaram o controle da vila depois que as autoridades terem fugido dos protestos anteriores, sumirem com o dinheiro da venda das terras ou terem sido demitidas, segundo vários relatos de moradores e dos meios de comunicação chineses.

Os problemas em Wukan começaram em setembro, quando centenas de moradores invadiram prédios públicos e entraram em confronto com a polícia em protesto contra a venda de suas terras sem sua autorização. Nos meses seguintes, os moradores apresentaram petições e tentaram realizar reuniões com autoridades de escalão mais alto, sem sucesso.

Na última sexta-feira, a polícia entrou na vila e levou vários representantes. Quando os policiais tentaram voltar no dia seguinte, os moradores bloquearam as estradas com troncos de árvore e barreiras, para impedir que entrassem.

A polícia recuou e estabeleceu bloqueios nas principais vias que levam a Wukan, impedindo os moradores de entrar e sair da vila e que alimentos chegassem ao local, disseram moradores contatados por telefone.

A raiva dos moradores aumentou no domingo, depois que Xue Jinbo, um dos principais representantes locais, morreu na cadeia. Familiares e partidários suspeitam que ele foi espancado. Meios de comunicação chineses informaram que a polícia e autoridades provinciais disseram que Xue morreu por causa de problemas cardíacos. As informações são da Associated Press.

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