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China protesta à Noruega contra Nobel da paz dado a dissidente

Chancelaria convoca embaixador norueguês em protesto; Oslo diz que prêmio é independente

estadão.com.br,

08 de outubro de 2010 | 12h05

PEQUIM - A China convocou o embaixador da Noruega em Pequim para expressar o seu descontentamento com o prêmio Nobel da Paz concedido ao dissidente Liu Xiaobo, que está preso no país, pelo Comitê do Nobel e anunciado em Oslo nesta sexta-feira, 8.

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Antes da convocação,o ministro de Assuntos Exteriores da Noruega, Jonas Gahr Store, ressaltou que o Comitê Nobel é independente, e pediu à China que aceite as críticas que vêm de fora.

"Dissemos todo o tempo que há uma clara linha entre um Comitê independente e o governo norueguês. Devem entender que assim funciona nossa sociedade", declarou à televisão pública NRK Store, que acrescentou que "a Noruega não tem que pedir perdão pelo trabalho do Comitê".

Mais cedo, em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores da China chamou o prêmio de obsceno e disse que "Liu Xiaobo é um criminoso que foi sentenciado pelos departamentos judiciais da China por violar a lei" e que a decisão do instituto "vai ao contrário dos princípios do Nobel e também constitui uma blasfêmia ao legado do prêmio.

No mês passado, uma representante do Ministério de Exteriores chinês disse que as ações de Liu são "diametralmente opostas às procuradas pelo Nobel". Pequim também fez duras críticas ao Nobel quando o dalai-lama, líder espiritual tibetano exilado, recebeu o prêmio, em 1989.

O prêmio

Liu, ex-professor de literatura, passou os últimos 20 anos entrando e saindo de prisões chinesas. No final do ano passado, ele foi condenado a 11 anos de prisão por subversão por ter escrito um manifesto em 2008 pedindo liberdade de expressão e eleições multipartidárias na China.

"Nas últimas duas décadas, Liu Xiaobo foi um grande porta-voz a favor da aplicação dos direitos humanos fundamentais na China", anunciou a organização norueguesa, recordando a participação do ativista nos protestos pró-democracia em Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em 1989.

"O Comitê sempre acreditou que existe uma estreita conexão entre os direitos humanos e a paz", assinalou o órgão.

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