China protesta contra dalai-lama com embaixador dos EUA

Para Pequim, prêmio ao líder religioso tibetano afeta gravemente relações com o governo americano

Efe,

18 de outubro de 2007 | 07h32

O governo da China afirmou nesta quinta-feira, 18, que o prêmio oferecido pelo Congresso dos Estados Unidos ao dalai-lama e a reunião do presidente americano, George W. Bush, com o líder espiritual tibetano "danificaram gravemente" as relações entre os dois países. O Ministério convocou o embaixador americano em Pequim para um "protesto oficial" em nome da China.   O dalai-lama, líder religioso e político tibetano no exílio, recebeu na quarta-feira a medalha de ouro do Congresso americano. Bush, que na véspera tinha se reunido em particular com o Nobel da Paz, assistiu ao ato.   O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Liu Jianchao, leu um comunicado em que chamou a homenagem ao dalai-lama e a reunião com Bush de "descarada intromissão nos assuntos internos da China". Ele acrescentou ainda que a iniciativa feriu os sentimentos do povo chinês.   A China exigiu que os EUA adotem urgentemente medidas imediatas para eliminar o "terrível impacto" do "ato gratuito" e parem de se intrometer nos assuntos internos chineses. Mas o porta-voz não explicou que tipo de iniciativas o governo chinês espera.   O porta-voz também reagiu aos comentários de Bush de que a Pequim deveria autorizar o retorno do dalai-lama. "Tudo o que China decida em relação ao Tibete é seu assunto interno. O povo chinês sabe melhor que ninguém como conduzir a questão e não gosta que digam o que fazer", respondeu.   O dalai-lama fugiu para o exílio em 1959, após o fracasso de uma rebelião contra a ocupação do Tibete, na qual morreram cerca de 87 mil tibetanos. Ele vive na cidade indiana de Dharamsala, onde lidera o chamado governo tibetano no exílio.   Prêmio Nobel da Paz, o dalai-lama acusa a China de "genocídio cultural" no Tibete, facilitando a emigração em massa de chineses da etnia majoritária Han para uma região que durante séculos viveu muito isolada do mundo exterior   Farsa religiosa   O principal responsável por assuntos religiosos na China afirmou que o dalai-lama "representou uma farsa" ao receber a Medalha e se reunir com Bush. Para o diretor da Administração Estatal de Assuntos Religiosos, Ye Xiaowen, as palavras do religioso no Congresso, pedindo maior autonomia para o Tibete, foram a representação da "velha reivindicação de independência" de sempre.   Ye disse que "o problema do dalai-lama é muito fácil de resolver, desde que ele abandone suas atividades separatistas". O chinês acrescentou ainda que "qualquer tentativa de romper com a China está condenada ao fracasso, esteja o dalai-lama vivo ou não".

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