China protesta contra reunião de Obama com Dalai Lama

A China apresentou hoje protestos formais ao governo dos Estados Unidos contra o encontro privado do presidente Barack Obama com o Dalai Lama, ocorrido ontem. Pequim acusou Washington de interferir "grosseiramente" em assuntos internos chineses, prejudicando as relações bilaterais.

AE, Agência Estado

17 de julho de 2011 | 19h20

Os protestos já eram esperados já que a China sempre critica reuniões de chefes de Estado estrangeiros com o líder espiritual tibetano. Mas, neste caso, a reunião entre Obama e o Dalai Lama pode azedar o clima da visita da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, à China na próxima semana, e do vice-presidente norte-americano Joe Biden, em agosto.

O Ministério de Relações Exteriores da China disse hoje que seu vice-ministro de Negócios Estrangeiros, Cui Tiankai, chamou Robert S. Wang, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Pequim, para registrar uma queixa oficial sobre a reunião de 44 minutos na Casa Branca, ontem (16).

"O lado chinês indicou que, independentemente da firme oposição da China, os EUA insistiram em organizar o encontro entre Obama e o Dalai Lama na Casa Branca", informa o Ministério chinês em seu site. "Isso interferiu gravemente nos assuntos internos e prejudicou interesses fundamentais da China, feriu os sentimentos do povo chinês, além de ter prejudicado as relações bilaterais. A parte chinesa expressou forte indignação e firme oposição", diz o comunicado.

A China considera o Tibete parte do seu território e vê o Dalai Lama, que fugiu para o exílio na Índia em 1959, como um separatista. Ele diz que faz uma campanha pacífica por maior autonomia e liberdade religiosa, e não independência. O Dalai Lama, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1989, encontrou-se com o presidente Obama no final de uma viagem de dez dias para os EUA, durante a qual se reuniu com líderes políticos norte-americanos, incluindo membros de Comitê de Relações Exteriores do Senado.

A reunião com Obama foi realizada na Sala dos Mapas da residência do presidente, em vez do Salão Oval, onde os chefes de Estado são recebidos. A Casa Branca ressaltou que tanto o Dalai Lama quanto os EUA entendem que o Tibete é parte da China. "O presidente reiterou seu forte apoio para a preservação das tradições religiosas, culturais e linguísticas do Tibete e do povo tibetano em todo o mundo", disse a Casa Branca, em comunicado. "Ele ressaltou a importância da proteção dos direitos humanos dos tibetanos na China."

A última reunião privada do presidente Obama com o Dalai Lama, em fevereiro de 2010, também enfureceu Pequim e contribuiu para um grave recesso nas relações bilaterais, que foi revertido apenas quando o presidente chinês, Hu Jintao, fez uma visita de Estado aos EUA em janeiro deste ano. O momento da reunião de ontem foi particularmente sensível já que ocorreu em meio aos esforços do governo chinês para comemorar os 60 anos do que ele chama de "libertação pacífica" do Tibete pelas tropas comunistas. As informações são da Dow Jones.

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