China protesta em aniversário da invasão japonesa

Dezenas de chineses protestaram do lado de fora da embaixada do Japão em Pequim neste sábado, no aniversário de 79 anos da ocupação japonesa. Os manifestantes gritavam "fora Japão" e foram dispersados pela polícia. Autoridades do governo temem que a situação possa ficar fora de controle após os japoneses prenderem o capitão de um barco pesqueiro que estava em uma zona marítima disputada pelos dois países, no começo do mês. Também ocorreram protestos menores em pelo menos três outras cidades.

AE-AP, Agência Estado

18 de setembro de 2010 | 11h02

O sentimento anti-japonês na China aumentou nas últimas semanas, após o Japão prender o capitão de um pesqueiro depois que a embarcação colidiu com dois barcos da guarda costeira japonesa, perto de um grupo de ilhas ao norte de Taiwan disputado pelos dois países. As ilhas são chamadas de Diaoyu ou Diaoyutai pelos chineses, e de Senkaku pelos japoneses. O Japão devolveu o barco e liberou a tripulação, mas manteve o capitão preso. A China exige sua libertação.

Neste sábado, em Pequim os manifestantes gritavam frases como "acabem com os demônios japoneses" e seguravam cartazes dizendo "saiam das Ilhas Diaoyu", mas a polícia os afastou da embaixada japonesa após pouco mais de uma hora de protesto. Em Xangai, dois homens exibiam um cartaz com a inscrição "as Ilhas Diaoyu pertencem à China. Devolvam nosso capitão" em frente ao consulado japonês. "Nós viemos aqui pedir por justiça e pela libertação do nosso capitão. Nós lamentamos a fraqueza da diplomacia do governo", disse Li Chunguang, que usava uma camiseta com a foto do líder revolucionário Mao Tsé-tung.

Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, também houve protestos na cidade de Shenyang, como Mukden é chamada atualmente. A data dos protestos marca o aniversário do chamado Incidente de Mukden, em 1931, quando militares japoneses sabotaram uma estrada de ferro pertencente ao Japão no sul da província da Manchúria, na China. O exército imperial japonês acusou dissidentes chineses pela explosão e o fato foi usado como pretexto para a invasão e anexação da Manchúria.

Este ano, as autoridades chinesas tentaram evitar os protestos, bloqueando sites de grupos nacionalistas na Internet e orientando estudantes universitários a não realizarem manifestações. O site da Federação Chinesa para a Defesa de Diaoyutai ficou fora do ar.

Embora o Partido Comunista encoraje o sentimento anti-japonês, para corroborar suas credenciais nacionalistas, o governo preza muito pela estabilidade social e suspeita de qualquer movimento independente que possa sair de controle e desafiar as autoridades. Permissões para a realização de protestos raramente são concedidas, e quando isso ocorre, são sempre demonstrações pequenas e cuidadosamente acompanhadas.

Mas o governo de Pequim tem afirmado que a prisão do capitão do barco pesqueiro poderia prejudicar as relações com o Japão e já convocou para reuniões cinco vezes o embaixador do país, Uichiro Niwa.

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