China quer avançar em acordo de livre comércio com o Mercosul

A China disse na segunda-feira que deseja avançar num acordo de livre comércio com o Mercosul, num momento em que o bloco sul-americano intensifica suas medidas econômicas protecionistas.

REUTERS

25 de junho de 2012 | 20h32

Durante visita a Buenos Aires, o primeiro-ministro Wen Jiabao manifestou, em videoconferência com os presidentes da Argentina, Brasil e Uruguai, o desejo de "realizar estudos de viabilidade sobre (...) uma zona de livre comércio entre a China e o Mercosul".

No começo de junho, Pequim já havia expressado essa intenção às autoridades uruguaias.

A China é um dos principais sócios comerciais do Mercosul, de onde compra principalmente grãos e outros alimentos, exportando em troca produtos de alto valor agregado.

Na América do Sul, os únicos países que têm acordos de livre comércio com a potência asiática são Chile e Peru.

Alguns economistas afirmam que as políticas protecionistas adotadas por Argentina e Brasil, os dois maiores sócios do Mercosul, tornam muito difícil a adoção de um acordo de livre comércio com a China.

SEM O PARAGUAI

A videoconferência foi realizada sem um representante do Paraguai, país que está temporariamente suspenso do Mercosul depois do impeachment do presidente Fernando Lugo por um rápido processo político no Congresso.

A saída de Lugo provocou uma onda de críticas na região, cujos governos a consideraram ilegítima, isolando diplomaticamente o novo governo de Federico Franco.

Segundo uma fonte do governo brasileiro, a ausência do Paraguai na discussão já é um sintoma do seu isolamento.

"É uma prova bastante concreta de que os demais países do Mercosul estão sérios em relação à posição tomada nos últimos dias", afirmou a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Os presidentes da América do Sul irão se reunir na sexta-feira na Argentina para analisar a situação do Paraguai.

(Por Nicolás Misculin, com reportagem adicional de Ana Flor, em Brasília)

Tudo o que sabemos sobre:
CHINAMERCOSUL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.