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China quer o apoio dos EUA para o desenvolvimento

O número 1 chinês, Jiang Zemin, completa uma de suas últimas grandes viagens ao exterior antes de deixar o poder no próximo dia 8 de novembro. Normal que esta viagem seja para os Estados Unidos. O retorno a uma amizade, ou ao menos a uma "não beligerância", entre os dois colossos é um desejo tanto de Washington quanto de Pequim. Foram sobretudo os chineses que desejaram purgar as relações entre os dois países de seus miasmas e péssimos hábitos. Por quê? Jiang Zemin sabe bem, e lembra a todo momento, que o desenvolvimento da China está subordinado à qualidade das relações com os Estados Unidos.A ação da China prevê três grande objetivos para os próximos dez anos: a reunificação da China comunista (continental) com Taiwan, a modernização do país, e a manutenção da segurança na Ásia. Ora, para atingir esses três objetivos, exige-se de Pequim o estabelecimento de relações cordiais com os Estados Unidos.Quando avaliam o tema, os analistas chineses são tomados por uma surprendente modéstia: "O produto nacional bruto da China é igual a um décimo do americano. A renda de um chinês é quarenta vezes mais modesta que a de um americano. Eis porque nós precisamos de neutralidade e, se possível, de compreensão, ou mesmo de ajuda, dos Estados Unidos".De fato, há um esforço no sentido de apagar as razões da discórdia entre os dois países. E freqüentemente chega-se a bons resultados. Por exemplo, tomando-se o exemplo do Iraque. Em público, a China parece se alinhar com as posições agressivas da França ou da Rússia contra a Casa Branca. Mas, por baixo do pano, ela dá garantias a Washington. Ninguém, nos círculos diplomáticos, crê que a China utilize seu direito de veto no Conselho de Segurança na questão do Iraque.Nota-se ainda o seguinte: a China se considera cuidadosamente estrangeira diante dos atos que sacudiram a Ásia, como o massacre islamita de Bali. Esses atentados abomináveis apresentam uma vantagem para Pequim: a China pode se apresentar como um porto seguro no continente asiático. Os americanos devolveram a bola o quanto antes: eles aceitaram catalogar como terrorista o grupo autônomo Uigures, que combate Pequim de sua base em Xingjiang.Terceiro ?casus belli?: os direitos humanos que Pequim continua a violar à vontade. Ainda assim, as coisas não vão mais tão longe: em princípio, os americanos não são tão orgulhosos. E, por outro lado, Pequim acalma as belas almas de tempos em tempos libertando uma velha "nonna" tibetana depois de alguns anos de cárcere e tortura.Resta um ponto perigoso: a ilha de Taiwan, aquele pequeno naco da China (a China nacionalista), próximo ao Estreito de Formosa, que já recusou aliança com a China comunista. Jiang Zemin, como Mao Tsé Tung e todos os outros dirigentes comunistas, jamais aceitou a existência dessa China democrática (e próspera) em um enclave da China comunista.A despeito do sucesso econômico brilhante, Taiwan não faz frente ao gigante que é a China continental - 25 milhões de habitantes contra um bilhão e duzentos milhões. E está bem claro que a ilha não estaria independente e livre se não fosse pela proteção de Washington.Hoje em dia, os governantes de Taiwan têm medo. Sua obsessão é a de que Washington, para se mostrar amável com Pequim, deixe para lá seu aliado taiuanês. O presidente Chen Shui-bian colocou os pingos nos is: " O arsenal chinês constitui uma ameaça para a democracia, a liberdade, os direitos do homem e a paz". E diz ainda: "As ameaças de Pequim contra a democracia de Taiwan, com suas armas de destruição em massa, se aproximam do terrorismo".Compreende-se a argumentação do presidente taiuanês: "Washington deveria, portanto, ter diante de Pequim as mesmas atitudes intransigentes de que se utiliza com outras possessões terroristas, como por exemplo Bagdá". O que dizer? O raciocínio do taiuanês Chen é lógico. A não ser por um ponto específico: a China é um bocado maior que o Iraque. Dito de outra maneira: a "real politik".

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