REUTERS/Alexander Bibik
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China quer saber por que executiva da Huawei foi presa a pedido dos EUA

Pequim cobra explicações de Canadá e EUA sobre detenção de Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da gigante de tecnologia; autoridades americanas suspeitam que Huawei tenha enviado produtos para o Irã e outros países alvo de sanções

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 11h31

PEQUIM - A China manifestou a Washington e Ottawa seu descontentamento com a detenção, no Canadá, da diretora financeira e filha do fundador do gigante das telecomunicações Huawei, a pedido dos Estados Unidos, em um caso que pode afetar a recente trégua comercial bilateral.

"Exigimos das duas partes (Estados Unidos e Canadá) que nos esclareçam o quanto antes o motivo desta detenção", afirmou nesta quinta-feira, 6, o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, que pediu a soltura "imediata" de Meng Wanzhou.

A embaixada chinesa em Ottawa já havia emitido uma nota de protesto contra a detenção da diretora, pedindo sua libertação. 

"A parte chinesa se opõe firmemente e protesta energicamente contra esse tipo de ação que prejudica gravemente os direitos humanos da vítima", indicou em um comunicado, insistindo em que Meng "não violou qualquer lei americana, ou canadense".

O Ministério canadense da Justiça informou que Meng foi detida em 1º de dezembro, em Vancouver. "Os Estados Unidos pedem sua extradição. Uma audiência será realizada na sexta-feira", disse Ian McLeod, porta-voz do Ministério.

Segundo a imprensa canadense, as autoridades americanas suspeitam de que Meng tenha violado as sanções americanas impostas ao Irã. Em abril, o americano The Wall Street Journal informou que as autoridades americanas tinham aberto uma investigação por suspeita de violação por parte da Huawei às sanções impostas por Washington ao Irã.

As autoridades suspeitam de que Huawei tenha exportado, desde 2016, produtos de origem americana para o Irã e outros países alvo de sanções, violando as leis dos Estados Unidos.

O anúncio dessa detenção acontece depois de Estados Unidos e China acordarem uma trégua na guerra comercial entre ambos os países. A decisão foi tomada após uma reunião dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, no âmbito do G20, na Argentina.

'Nenhum crime'

Nesta quinta-feira, a Huawei disse que desconhece qualquer suposto "delito" cometido por sua diretora financeira.

"A companhia recebeu muito pouca informação sobre as acusações e não tem conhecimento de nenhum delito por parte de Meng", disse a Huawei em um comunicado, no qual afirmou que a companhia cumpre todas as leis aplicáveis nos países nos quais opera.

A notícia desta detenção derrubou as Bolsas asiáticas nesta quinta, em especial as chinesas: Xangai fechou em baixa de 1,68%, e Hong Kong, 2,47%.

Meng é filha de Ren Zhengei, ex-engenheiro do Exército Popular de Libertação da China que fundou em 1987 a Huawei.

Vários membros do Congresso em Washington consideram que a Huawei é "uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos" e invocam as relações do grupo "com o Partido Comunista Chinês e com os serviços de segurança e de Inteligência chineses".

O excepcional desenvolvimento do gigante chinês causa receio, e alguns países ocidentais e asiáticos rejeitam a instalação em suas redes da tecnologia 5G, que tem caráter estratégico.

Assim, no verão (hemisfério norte), a Austrália proibiu a Huawei de fornecer 5G para redes no país por temores de espionagem. A Nova Zelândia fez o mesmo em novembro, mas garantiu, oficialmente, que se trata de uma decisão tecnológica.

US$ 1 bilhão de multa

Outro gigante chinês das telecomunicações, a ZTE foi sancionada este ano pelo governo Trump por ter violado o embargo americano contra o Irã.

Em meados de abril, Washington proibiu todas as vendas de componentes eletrônicos americanos para a ZTE. A empresa teve de encerrar parte de suas atividades, o que pôs sua sobrevivência em risco, mas superou a situação pagando uma multa de US$ 1 bilhão. / AFP, REUTERS e EFE

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