China reafirma oposição a intervenção militar na Síria

A China reiterou nesta quarta-feira sua oposição a uma intervenção militar na Síria e deu novamente apoio à mediação do enviado internacional Kofi Annan, em meio à indignação global pelo massacre de 108 pessoas, incluindo dezenas de crianças, numa cidade síria.

SUI-LEE WEE E SABRINA MAO, REUTERS

30 Maio 2012 | 08h58

O chefe dos observadores da ONU na Síria disse que o massacre na localidade de Houla parece ter sido cometido por milícias pró-governo, o que aumentou a pressão sobre os governos ocidentais por uma intervenção.

"A China se opõe à intervenção militar e não apoia uma mudança forçada de regime", disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa. "A rota fundamental para resolver (a crise) ainda é que todos os lados apoiam totalmente os esforços de mediação feitos por Annan."

Sobre o massacre, Liu disse que "a China acredita que deveria haver um minucioso inquérito, e que os assassinos sejam levados à Justiça".

Governos árabes e ocidentais contrários ao regime de Bashar al Assad atribuíram as mortes integralmente ao governo, que rejeitou a acusação e apontou militantes islâmicos como responsáveis pelo massacre, um dos piores incidentes em 14 meses de rebelião contra Assad.

Na terça-feira, o presidente da França, François Hollande, disse que uma intervenção militar não poderia ser descartada se tiver o apoio do Conselho de Segurança da ONU. A China e a Rússia, porém, já vetaram duas resoluções do Conselho que imporiam medidas duras contra Assad.

O vice-chanceler russo, Gennady Gatilov, disse na quarta-feira à agência de notícias Interfax que seria prematuro considerar novas medidas no âmbito do Conselho.

A China tem repetidamente expressado a tese de que uma intervenção internacional agravaria a situação síria. O popular tabloide Global Times, publicado pelo Partido Comunista, disse em editorial que "metade da população síria permanece leal a Assad, e erradicar esse apoio será causar uma dor inenarrável ao povo sírio".

"O Ocidente não deve esperar a cooperação da China e da Rússia se insistir em ditar seus próprios valores e padrões ao mundo de qualquer maneira. Ao invés disso, irá encontrar a China e a Rússia no seu caminho", disse o editorial.

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