Scott Barbour/Efe
Scott Barbour/Efe

China reage a declarações de Obama sobre militares no Pacífico

Pequim dá sinais de irritação com presença americana na região e com envio de marines para Austrália

Denise Chrispim Marin, correspondente

17 de novembro de 2011 | 22h00

WASHINGTON - A China deu nesta quinta-feira, 17, os primeiros sinais de irritação com a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de que seu país "chegou para ficar" na região da Ásia-Pacífico. Washington anunciou, na quarta-feira, que enviará 2,5 mil marines para a base militar australiana de Darwin nos próximos anos para "fortalecer a segurança da região".

 

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Weiman, afirmou que não é conveniente nem de interesse dos países da região uma maior presença militar americana no Pacífico.

 

"Pode não ser de todo apropriado expandir as alianças militares e pode não ser de interesse dos países da região", afirmou Liu. "Podemos aprofundar e estender mais a cooperação da China com os EUA, assim como a da China com a Austrália, porque isso não é só de interesse dos nossos países, mas de toda a região."

 

Ainda não se sabe como Pequim reagirá concretamente à presença americana. Uma possível retaliação pode ter relação com o pacote de investimentos chineses nos EUA, de US$ 48 bilhões, acertados durante a visita do presidente da China, Hu Jintao, a Washington, em janeiro.

 

Comércio

 

As agências de notícia chinesas acusaram Obama de valer-se de sua diplomacia asiática para conquistar votos para sua reeleição, uma vez que ele não tem como obtê-los com os resultados econômicos do país.

 

Especialistas chineses também criticaram a iniciativa americana. Zhu Feng, professor de relações internacionais da Universidade de Pequim, afirmou que os EUA estão "exagerando". Yu Wanli, da Escola de Estudos Internacionais, também da Universidade de Pequim, acredita que muitos chineses verão a iniciativa como uma traição dos EUA à parceria lançada em janeiro.

 

Desde o início da semana, Obama lançou duas iniciativas claramente voltadas a contrapor o poder de Pequim nas áreas de comércio e de segurança. No Havaí, o presidente anunciou a negociação de um acordo de livre comércio entre os países da Parceria Trans-Pacífico (PTP).

 

A China não faz parte do grupo. O país deixaria de ser convidado, segundo diplomatas americanos, por não atuar "conforme as regras do comércio internacional".

 

Aliança

 

Na Austrália, na quarta-feira, o presidente assinou com a primeira-ministra, Julia Gillard, um acordo militar que permite o envio de 2,5 mil marines para a base militar de Darwin, noroeste australiano. Obama qualificou a iniciativa como "necessária para manter a arquitetura de segurança da região", além de atender "às demandas" de aliados locais.

 

Nos últimos anos, diante da maior pressão da China no Sudeste Asiático e das ameaças vindas da Coreia do Norte, países como Índia, Vietnã, Filipinas e Japão pediram ajuda a Washington. Quem também seria beneficiada é Taiwan. Protegidos pelos EUA, os taiwaneses são frequentemente assediados pelos chineses, que não reivindicam a soberania sobre a ilha.

 

Na madrugada de quinta, diante do Parlamento australiano, Obama enfatizou que Darwin é "o lugar perfeito" para as operações da nova aliança militar entre EUA e Austrália. "Viemos para ficar", disse.

 

"Estamos aprofundando nossa aliança e esse é o lugar perfeito para fazermos isso. Essa é a região com um dos mais intensos movimentos comerciais do mundo", afirmou Obama, em referência ao fato de a metade do transporte de cargas internacional passar pelo Estreito de Malaca e pelo Mar do Timor. 

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