China rebate insinuação dos EUA sobre papel colonial na África

O governo chinês rebateu nesta terça-feira a insinuação da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, de que a influência chinesa na África poderá fomentar um "novo colonialismo" no continente. A China alega que também sofreu com o colonialismo.

REUTERS

14 de junho de 2011 | 10h47

Hillary declarou num programa de TV da Zâmbia, no fim de semana, que a África tem de estar precavida sobre "um novo colonialismo" -- num momento em que a China amplia sua presença no continente. Ela propôs a parceria dos Estados Unidos para ajudar os países africanos a melhorarem sua condição.

Hillary não apontou a China como o alvo de seus comentários, mas suas declarações deixaram poucas dúvidas sobre a quem se referia.

"Quando as pessoas vêm à África fazer investimentos, queremos que elas se saiam bem, mas também queremos que elas façam o bem", disse Hillary. "Nós vimos que durante períodos coloniais é fácil entrar, tomar os recursos naturais, subornar líderes e ir embora."

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Hong Lei, não mencionou o nome de Hillary, mas ao ser indagado sobre os comentários dela disse que a China está longe de ser uma força coercitiva e exploradora na África.

"A China e os países da África foram historicamente vítimas de ocupação colonial e opressão, e eles todos sabem verdadeiramente o que era colonialismo", disse o porta-voz, durante seu encontro regular com a imprensa, em Pequim.

"Nós nunca impusemos nossa vontade aos países da África", acrescentou. "Esperamos que aqueles que estejam preocupados possam ver a cooperação africano-chinesa de modo objetivo e justo."

A China vem se voltando cada vez mais para a África, em busca de recursos minerais e petróleo, mercados e apoio diplomático. Em 2009, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ofereceu à África empréstimos no total de 10 bilhões de dólares, ao longo de três anos.

Críticos dizem que a ajuda de Pequim com muita frequência está ligada a interesses de investimento e pode minar esforços para estimular governos transparentes na África porque o país não pede, em troca, o mesmo tipo de prestação de contas exigido pelo Ocidente quando fornece ajuda.

Hong declarou que, pelo contrário, a China está comprometida a respeitar os países africanos e a cooperar com eles "para benefício mútuo."

(Reportagem de Chris Buckley)

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