Li Ran/Xinhua/AFP
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China recebe líderes do Taleban enquanto os EUA retiram tropas do Afeganistão

Pequim expressou apoio ao grupo, mas pediu que ele se afaste de movimento separatista na região de Xinjiang

Rebecca Tan, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 16h52

PEQUIM - A China expressou apoio ao papel do Taleban no futuro do Afeganistão, enquanto alertava o grupo a cortar laços com um movimento separatista na região de Xinjiang, em uma expressão clara dos objetivos geopolíticos de Pequim no país da Ásia Central.

Poucos dias depois de se reunir com altos funcionários dos EUA na cidade portuária de Tianjin, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, deu as boas-vindas a uma delegação de nove membros do Taleban, que incluía o negociador-chefe e líder político Mullah Abdul Ghani Baradar. O encontro aconteceu em meio à retirada das tropas americanas do Afeganistão, ação que, para alguns especialistas e autoridades, pode levar à instabilidade política na região.

De acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, Wang disse aos líderes do Taleban que a "retirada precipitada" dos Estados Unidos do Afeganistão é uma marca de suas falhas políticas no país. A China não interferirá nos assuntos internos do Afeganistão, disse ele, acrescentando que se espera que o Taleban “desempenhe um papel importante no processo de paz, reconciliação e reconstrução” do país.

O Taleban busca alcançar os países da região, na expectativa de que o movimento em breve se torne um ator importante na gestão do Afeganistão.

Negociações de paz entre o governo afegão e o Taleban estão em andamento em Doha, Qatar, mas foram paralisadas, mesmo com os militantes desencadeando ofensivas no Afeganistão que conquistaram um novo território.

Os líderes chineses também aproveitaram a oportunidade para exigir que o Taleban rompesse todos os laços com o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, a quem Pequim frequentemente atribui os ataques em sua província de Xinjiang, no extremo oeste. O movimento "representa uma ameaça direta à segurança nacional e à integridade territorial da China", disse Wang, acrescentando que "é responsabilidade comum da comunidade internacional lutar contra a ETIM".

Os líderes do Taleban presentes na reunião prometeram respeitar a segurança nacional da China, disse Mohammad Naeem, porta-voz do gabinete político do Taleban, em um comunicado no Twitter.

A China há muito tempo critica a presença dos EUA no Afeganistão, mas recentemente manifestou preocupações de que a retirada militar dos EUA poderia mergulhar a região em instabilidade e potencialmente causar problemas de segurança ao longo da sensível fronteira noroeste da China.

As violações de direitos humanos contra a população uigur no território de Xinjiang geraram condenação generalizada da comunidade internacional e continuam a ser uma importante fonte de tensão entre os Estados Unidos e a China.

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