China reclama com Grã-Bretanha após Cameron encontrar Dalai Lama

O vice-ministro das Relações Exteriores da China, Song Tao, convocou o embaixador britânico em Pequim nesta terça-feira para protestar contra o encontro do primeiro-ministro britânico, David Cameron, com o Dalai Lama, dizendo que a reunião "interferiu seriamente" com os assuntos internos da China.

REUTERS

15 Maio 2012 | 13h46

O exilado líder espiritual tibetano, que é considerado um separatista por Pequim, reuniu-se com Cameron na segunda-feira. A reunião, no entanto, não aconteceu na residência oficial de Cameron na Downing Street, em um gesto de sensibilidade aos chineses.

Song convocou o embaixador britânico Sebastian Madeira e disse que os líderes britânicos devem considerar plenamente as "graves consequências" do encontro com o Dalai Lama, disse o Ministério de Relações Exteriores chinês em um comunicado.

O Ministério afirmou que o encontro "interferiu seriamente com assuntos internos da China, minou os interesses principais da China e feriu os sentimentos do povo chinês".

Song instou a Grã-Bretanha a tomar "medidas concretas para corrigir o erro".

A resposta da China ecoou muitas declarações anteriores sobre encontros do Dalai Lama com líderes políticos estrangeiros, sugerindo que a China deve limitar a sua reação a palavras de raiva.

"Os ministros britânicos acreditam que quem eles veem é um problema deles", disse um porta-voz do Escritório de Relações Exteriores britânico, em Londres. "Se eles optarem por ver alguém, não indica necessariamente que apoiam o ponto de vista do indivíduo."

O Dalai Lama disse aos repórteres na segunda-feira que a China está assolada por uma crise moral, corrupção generalizada e ilegalidade, levando milhões de chineses a buscar refúgio no Budismo.

Ele estava em Londres para receber o prêmio Templeton de 1,7 milhão de dólares por seu trabalho afirmando a dimensão espiritual da vida.

O Dalai Lama nega que busca a independência para o Tibete, afirmando que ele quer uma transição pacífica para a verdadeira autonomia para a região remota do Himalaia, que a China tem governado com mão de ferro desde 1950, quando tropas chinesas invadiram a região.

Ele vive exilado na Índia desde que fugiu de sua terra natal predominantemente budista em 1959 após um levante fracassado contra o regime comunista.

(Reportagem de Sui-Lee Wee e Adrian Croft)

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