China reclama de críticas dos EUA sobre censura na internet

Governo chinês diz que declarações de Hillary Clinton podem prejudicar relações entre os países.

BBC Brasil, BBC

22 de janeiro de 2010 | 13h27

A China reclamou nesta sexta-feira das críticas feitas pelos Estados Unidos às restrições à liberdade na internet, dizendo que elas podem atrapalhar as relações entre os dois países.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Ma Zhaoxu, disse que os Estados Unidos deveriam "respeitar os fatos" e parar de "fazer acusações sem fundamentos sobre a China".

"Os Estados Unidos criticaram as políticas da China para administrar a internet e insinuaram que a China restringe a liberdade à rede", disse Ma em um comunicado no site do Ministério. "Isso vai contra os fatos e é prejudicial às relações China-Estados Unidos."

Os comentários do Ministério foram feitos depois que, na quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a China restringe a liberdade na internet e pediu que Pequim investigue reclamações do site Google de que teria sofrido ataques de hackers originados na China.

Caso Google

Em um discurso em Washington, Clinton afirmou que a internet tem sido uma "fonte de grande progresso" na China, mas que qualquer país com acesso restrito a informação está se arriscando a "se fechar para os avanços do próximo século".

Ela afirmou ainda que os Estados Unidos pretendem debater questões sobre a liberdade da internet em sua relação com o governo chinês, e pediu uma ação dura contra pessoas e nações que realizam ataques virtuais.

No dia 12 de janeiro, o Google disse que hackers tentaram se infiltrar em contas de seu serviço de email pertencentes a ativistas de direitos humanos chineses, em um "ataque altamente sofisticado" originado na China.

Clinton pediu para que as autoridades chinesas investiguem as queixas do Google e divulgue suas conclusões.

Ela afirmou ainda que países como a Tunísia, o Egito, o Irã, a Arábia Saudita e o Uzbequistão aumentaram sua censura na internet e chegaram a assediar blogueiros.

Reação

O discurso da secretária americana também foi criticado pela imprensa estatal chinesa.

"A campanha dos Estados Unidos pelo livre fluxo de informação em uma internet sem restrições é uma tentativa disfarçada de impor seus valores em outras culturas em nome da democracia", diz editorial do jornal em inglês Global Times.

As autoridades chinesas insistem que o Google e outras empresas de internet estrangeiras são bem-vindos no país, desde que obedeçam às leis e tradições da China.

Quando o Google lançou suas operações na China, com o domínio google.cn, em 2006, ele concordou em censurar alguns temas de buscas, como os protestos da Praça da Paz Celestial em 1989, a independência do Tibete e o movimento Falun Gong - conforme exigido pelo governo chinês.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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