China recusa visita de líder norte-coreano

A China rejeitou discretamente em agosto uma visita ao país do jovem líder norte-coreano porque a cúpula chinesa está mais preocupada com a sucessão na liderança do próprio país e com vários outros assuntos internos, segundo duas fontes independentes.

BENJAMIN KANG LIM, Reuters

03 de outubro de 2012 | 09h28

A decisão também sugere que a China, principal fornecedora de alimentos e petróleo para a Coreia do Norte, pode estar intensificando sua pressão para que o isolado regime comunista de Pyongyang abandone seu programa de armas nucleares, disse uma dessas fontes. Em abril, a Coreia do Norte ignorou alertas de Pequim para não fazer o teste prático de um foguete.

O desejo do líder norte-coreano Kim Jong-un de visitar a China em setembro foi transmitido por seu poderoso tio Jang Song-thaek durante uma reunião com autoridades chinesas em Pequim, em agosto.

Mas a China discretamente rejeitou o pedido, que jamais foi divulgado, porque o Partido Comunista chinês está ocupado demais preparando seu congresso quinquenal marcado para começar em 8 de novembro, e no qual o dirigente Xi Jinping deve substituir Hu Jintao como líder partidário.

Não há outra data prevista para a visita de Kim.

"Kim Jong-un queria vir, mas não era um momento conveniente", disse uma fonte familiarizada com a política externa chinesa, alegando falta de espaço na agenda dos líderes chineses. Além disso, "do ponto de vista da China, ele (Kim) precisa vir com algo positivo", acrescentou a fonte, referindo-se às ameaças norte-coreanas de realizar um terceiro teste de armas nucleares.

A Coreia do Norte está sob sanções da ONU por causa dos testes de 2006 e 2009. Neste ano, potências ocidentais manifestaram a preocupação de que a Coreia do Norte realizasse um terceiro teste, o que não ocorreu.

Na segunda-feira, o vice-chanceler norte-coreano, Pak Kil-yon, disse na Assembleia-Geral da ONU que a dissuasão nuclear é "uma arma poderosa, que defende a soberania do país".

Analistas dizem que a China pode relutar em receber Kim, em parte pelo fato de a Coreia do Norte ter ignorado os alertas chineses para não testar o foguete em abril. O Conselho de Segurança da ONU, do qual a China é membro permanente, condenou veementemente o fracassado lançamento, como sendo uma violação das resoluções do Conselho.

O pai e antecessor de Kim Jong-un, Kim Jong-il, que morreu em dezembro, fez seis visitas à China entre 2004 e 2011, período em que Hu esteve no cargo de presidente (que ele ocupa até março de 2013).

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