China reduz meta de crescimento para 2012

Nova cifra está em linha com Plano Quinquenal para período 2011-2015, que dá ênfase à qualidade da expansão econômica

Cláudia Trevisan - correspondente em Pequim,

05 de março de 2012 | 06h51

A China reduziu sua meta de crescimento de 2012 para 7,5%, abandonando a cifra mágica de 8% que prevaleceu desde 2005, abaixo dos quais as autoridades acreditavam que não criariam empregos suficientes para a população urbana. Anunciada ontem pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, o novo percentual está em linha com o Plano Quinquenal para o período 2011-2015, que dá ênfase mais à qualidade do que à quantidade da expansão econômica.

Em discurso na abertura da reunião anual do Congresso Nacional do Povo, Wen Jiabao afirmou que o mais urgente desafio do governo é transformar o modelo de desenvolvimento chinês, que segundo ele é “desequilibrado, descoordenado e insustentável”. 

O objetivo é reduzir o peso dos investimentos e das exportações, principais motores do crescimento anual médio de 9,9% registrado nas últimas três décadas. Para isso, a China precisa ampliar a participação do consumo doméstico, tarefa que aparece em primeiro lugar entre as prioridades listadas por Wen para 2012.

Segundo ele, o governo dará ênfase à redução da desigualdade social, investirá na ampliação da rede de proteção social e implantará mecanismos para elevações regulares de salários e do salário mínimo. “Nós vamos rapidamente reverter a tendência de ampliação da disparidade de renda”, prometeu o primeiro-ministro.

O rápido crescimento das últimas três décadas foi acompanhado de acentuada elevação da distância entre ricos e pobres, campo e cidade e as regiões leste e oeste do país, a ponto de a nominalmente socialista China ter um índice Gini de desigualdade superior ao do capitalista Estados Unidos. 

Isso cria um sentimento de exclusão dos benefícios da expansão econômica em grande parte da população e é fonte de instabilidade e conflitos sociais.

Mas a ênfase no ajuste do modelo de desenvolvimento não significa que as autoridades chinesas abandonaram a preocupação com o crescimento. Como nos anos anteriores, é provável que o índice real continue a superar o percentual fixado para cada ano. Economistas ligados ao governo estimam que o aumento do PIB será de 8,5% em 2012, acima da meta de 7,5% apresentada ontem pelo primeiro-ministro.

O desafio para o Partido Comunista é manter um alto ritmo de expansão e, ao mesmo tempo, mudar o modelo de desenvolvimento e conter a alta de preços, outra grande fonte de instabilidade social. A meta de inflação para 2012 foi fixada em 4%, mesmo índice do ano passado, que registrou um Índice de Preços ao Consumidor de 5,4%.

Wen afirmou que o governo manterá a política de controle do setor imobiliário que limita o número de imóveis que cada família pode adquirir, com o objetivo de conter a especulação que levou os preços às alturas e criou uma bolha que começa a desinflar. O objetivo, segundo o primeiro-ministro, é trazer os preços a patamares “razoáveis”.

Com a crise na Europa e nos Estados Unidos _principais compradores de seus produtos_ a China espera um modesto aumento de 10% em seu comércio internacional, depois de alta de 35% no ano passado. Para compensar o enfraquecimento de seus mercados tradicionais, Pequim buscará espaço em países emergentes, ressaltou o premiê.

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