China reforça laços com região

América Latina é foco de ações do governo de Pequim

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

A China está determinada a ampliar os laços políticos, econômicos e militares com a América Latina por meio de acordos de livre comércio, intensificação de visitas de chefes de Estado, aumento de investimentos e troca de informações entre comandantes das Forças Armadas. O vice-presidente da Comissão Central Militar do Partido Comunista, Xu Caihou, inicia esta semana uma agenda de visitas a Venezuela, Chile e Brasil, nas quais encontrará com ministros, autoridades militares e presidentes.Xu estará em Brasília na próxima semana e se reunirá com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes das Forças Armadas. Também é possível que seja recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A visita coincide com a viagem à região do presidente Hu Jintao, que chega hoje a Lima, no Peru, onde assinará um tratado de livre comércio (TLC). Na segunda-feira, Hu esteve na Costa Rica e Cuba.As relações entre a China e a América Latina ganharam impulso com a entrada de Pequim no Banco Interamericano de Desenvolvimento, no mês passado, e com o lançamento do primeiro documento que delineia a política oficial do país em relação à região, divulgado no início de novembro. O texto defende a intensificação de relações nos campos político, econômico, cultural e social e nas áreas de paz e segurança.Na avaliação do embaixador do Brasil em Pequim, Clodoaldo Hugueney, a divulgação do documento reflete a disposição da China de dar "grande prioridade" à relação com a região. Segundo ele, o documento sobre relações da China com América Latina e Caribe é abrangente e oferece um enorme leque para a cooperação entre as regiões - entre elas, a questão dos biocombustíveis, uma das prioridades do presidente Lula.O comércio entre a China e a América Latina cresceu dez vezes desde 2000 e o país asiático está entre os principais destinos de exportação de vários países da região, como Brasil, Chile e Argentina. Ontem, o jornal oficial China Daily publicou declarações do diretor de relações internacionais do Ministério de Defesa Nacional, Qian Lihua, segundo as quais a visita de Xu à região não coloca em risco interesses de outros países. "A cooperação e as trocas militares são uma importante parte da relação da China com a América Latina e desempenham um papel positivo na promoção de seu desenvolvimento", declarou Qian Lihua.

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