REUTERS / Aly Song
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China registra maior número de casos de covid-19 em sete meses

Os números desta terça-feira são os mais elevados desde janeiro, quando o país registrou 144 novos casos, incluindo 126 contaminações locais

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 10h00

PEQUIM - O número de novos casos de covid-19 registrados na China, nesta terça-feira, 10, foi o mais alto nos últimos sete meses. O aumento se dá após a detecção de um foco de contágios num centro de testes, enquanto a variante Delta representa um desafio aos esforços do governo de Pequim para controlar a epidemia.

As autoridades de saúde do país registraram 143 novos casos de coronavírus, 108 deles foram transmissões locais.

A imprensa estatal descreve o atual surto como o mais grave desde que o vírus surgiu no fim de 2019 na cidade de Wuhan, região central do país.

Na época, as autoridades conseguiram reduzir o número de contágios a quase zero, o que permitiu a retomada da atividade econômica, mas com algumas restrições.

Mas agora os casos voltam a aumentar.

Dezenas de casos aconteceram em um centro de exames de covid-19 na cidade de Yangzhu. As autoridades emitiram alertas para evitar o manuseio incorreto dos testes de covid-19, o que pode facilitar a propagação do vírus.

Outro foco foi registrado entre trabalhadores do serviço de limpeza do aeroporto de Nanjing, que depois se propagou para outras partes do país.

Os números desta terça-feira são os mais elevados desde janeiro, quando o país registrou 144 novos casos, incluindo 126 contaminações locais.

As autoridades, no entanto, divulgaram uma mensagem de confiança e consideram que os novos focos são controláveis.

"Conseguimos conter com sucesso a epidemia em Guangzhu, e a de Nanjing está sendo controlada gradualmente", afirmou a agência oficial Xinhua, ao citar o especialista em doenças infecciosas Zhang Wenhong.

Testagem em massa

Algumas cidades acrescentaram rodadas de testes em massa na tentativa de erradicar as infecções de covid-19 transmitidas localmente.

Yangzhou iniciou uma quinta rodada de testes em massa, disseram as autoridades da cidade na segunda-feira, no dia em que Zhengzhou encerrou a coleta de amostras para sua terceira rodada de testagem.

A cidade oriental de Nanjing, duramente atingida pelo surto de julho, iniciou uma terceira rodada de testes direcionados a algumas áreas, após três rodadas em toda a cidade registrarem menos de cinco casos locais diários desde 2 de agosto.

A cidade de Nantong, próxima a Yangzhou e Nanjing, ainda não relatou nenhum novo caso local desde o final de julho, mas também começou os testes em massa como um exercício preparatório.

A cidade central de Wuhan relatou dois casos locais confirmados no domingo, o menor número diário desde suas primeiras infecções Delta em 2 de agosto.

Testes em toda a cidade iniciados na semana passada não mostraram nenhuma propagação em larga escala do último surto, disse um médico do hospital de Tongji, da cidade, aos repórteres no domingo.

Variante Delta

A variante Delta foi detectada em mais de uma dúzia de cidades chinesas desde 20 de julho. Diante dessa situação, as autoridades ordenaram aos governos locais que acompanhassem de perto as infecções e fechassem as brechas nos esforços de controle.

"O desleixo deve ser firmemente superado", disse a Comissão Nacional de Saúde (NHC) no domingo, pedindo ajuda da população para que o surto seja refreado.

Os analistas veem a variante Delta como o maior teste da estratégia da China de zero de covid desde o surto inicial do ano passado, mas esperam que as autoridades a eliminem antes que ela saia do controle, mesmo que a algum custo econômico. 

"Enquanto a covid-19 ainda estiver difundida globalmente, a política da China de impedir estritamente a importação do vírus não será alterada", escreveu o ex-ministro da saúde Gao Qiang no People's Daily, apoiado pelo Estado.

O total de infecções na China é de 93.826 desde o início da pandemia, enquanto que as mortes permaneceram em 4.636. /AFP e Reuters


 

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