REUTERS / Thomas Peter
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China registra primeira morte por covid-19 em oito meses; país recebe especialistas da OMS

Equipe da Organização Mundial de Saúde, que está em Wuhan, vai investigar a origem do novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 02h59

PEQUIM - A China registrou nesta quinta-feira, 14, a primeira morte por covid-19 em oito meses. Pouco depois do anúncio, uma equipe de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou ao país com a missão de estudar a origem do coronavírus.

O país, onde a covid-19 foi detectada pela primeira vez há pouco mais de um ano, conseguiu erradicar a pandemia desde a metade do ano passado, graças ao uso de máscaras e fortes medidas de controle de movimento, como isolamento social e a implementação de aplicativos de rastreamento de celulares.

Mas, nos últimos dias, vários surtos reapareceram no país, embora ainda esteja muito longe da difícil realidade registrada em outras partes do mundo. Na quinta-feira, a China anunciou o maior número de infecções desde março.

A maioria dos novos casos é registrada em Hebei, uma grande província que circunda a capital Pequim, com 81 casos. Segundo as autoridades sanitárias, o falecido esteve justamente nesta província. A última morte na China de covid-19 havia sido registrada em maio do ano passado.

De acordo com o balanço oficial, 4.635 pessoas morreram no país em decorrênciad da covid-19, que já causou quase dois milhões de mortes no mundo.

A notícia da morte se espalhou como um incêndio nas redes sociais e ultrapassou 100 milhões de comentários no Weibo, o equivalente ao Twitter na China. “É chocante, há muito tempo não via a expressão 'morto pelo vírus'” na China, alarma-se um internauta que deseja rapidamente o fim da epidemia.

Essa nova morte na China ocorre após o surgimento de vários surtos que levaram as autoridades a agir de forma decisiva.

Heilongjiang, uma província vizinha da Rússia, declarou "estado de emergência" na quarta-feira. Seus 37,5 milhões de habitantes não podem deixar a província, exceto em casos de urgência e as congregações planejadas foram canceladas. Uma das cidades da província, Suihua, lar de mais de cinco milhões de habitantes, foi colocada em quarentena na segunda-feira. Os moradores devem permanecer em suas casas e o transporte público foi suspenso.

O aumento dos casos preocupa o governo com a chegada do Ano Novo Chinês, que este ano cai no dia 12 de fevereiro, e que gera milhões de deslocamentos de trabalhadores migrantes que retornam com suas famílias. No entanto, é improvável que a China veja uma "disseminação em grande escala" do coronavírus, disse Feng Zijian, vice-diretor do Centro Nacional para Controle e Prevenção de Doenças, na quarta-feira.

Equipe da OMS chega a Wuhan

Em meio a isso, uma equipe da OMS chegou nesta quinta-feira a Wuhan (centro), onde o vírus surgiu no final de 2019. Esta equipe é formada por dez cientistas de diferentes nacionalidades que tentarão chegar à origem da covid-19. No entanto, eles levarão algum tempo para iniciar seu trabalho porque terão de cumprir uma quarentena de duas semanas.

Esta visita é extremamente sensível para Pequim, preocupada em descartar qualquer responsabilidade na epidemia que colocou a economia mundial de joelhos. Prevista inicialmente para acontecer na semana passada, a viagem havia sido cancelada no último minuto porque faltavam autorizações necessárias.

Durante uma rara crítica à China, o diretor da OMS lamentou que seus pesquisadores não tenham podido visitar o país antes.

Esta missão durará entre cinco e seis semanas. Seu objetivo é explorar "todas as pistas", mas não procurará culpados, disse à AFP um de seus membros, Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch da Alemanha.

"Trata-se de compreender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro", insistiu Leendertz. Mas "não devemos esperar [...] que a equipe volte com resultados conclusivos" nesta primeira visita, avisou./AFP

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