Manish Swarup/AP
Manish Swarup/AP

China reitera oposição ao encontro de Obama com dalai-lama

Presidente americano confirmou reunião com líder tibetano na noite da terça; Pequim faz advertências

Cláudia Trevisan, correspondente em Pequim,

03 de fevereiro de 2010 | 07h25

O governo chinês reiterou na quarta-feira, 3, que se opõe ao encontro que o presidente dos EUA, Barack Obama, terá neste mês com o líder espiritual dos tibetanos, o dalai-lama, e afirmou que o apelo nesse sentido foi feito ao dirigente americano pelo próprio presidente Hu Jintao.

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De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, o líder chinês "explicou" a seu colega americano a posição de Pequim em relação ao assunto quando os dois se encontraram na capital chinesa em novembro. Segundo o porta-voz, Hu Jintao expressou na ocasião a "resoluta oposição" a encontros do dalai lama com qualquer líder ou funcionário de outros países.

 

Ma ressaltou que o dirigente chinês solicitou de maneira "específica" que os EUA não permitissem que os "separatistas tibetanos usassem seu solo para fomentar tumulto e dividir a China".

 

Pequim classifica o líder tibetano exilado na Índia desde 1959 como "separatista" e sustenta que outros Estados interferem em seus assuntos internos quando decidem recebê-lo. "Nós apelamos aos EUA que compreendam a grande sensibilidade da questão tibetana e lidem com os problemas relacionados a ela de maneira prudente e apropriada, para evitar provocar danos adicionais às relações entre os dois países", declarou Ma. Na terça-feira, representantes do governo de Pequim já haviam se manifestado oposição ao possível encontro, confirmado no mesmo dia à noite.

 

O relacionamento entre os dois países foi abalado no fim de semana pela reação mais violenta que o usual da China contra o anúncio de que os americanos venderão US$ 6,4 bilhões em armas para Taiwan.

 

Os americanos são o principal aliado da ilha que a China considera como seu território, para a qual fugiram os nacionalistas derrotados na guerra civil em 1949. Washington tem o compromisso de defender Taiwan em caso de agressão externa e há décadas fornece armamentos a seu governo.

 

Pequim sempre reage com declarações contundentes, mas desta vez foi além, ao suspender a cooperação militar com os EUA e ameaçar boicotar as empresas que participarem da operação, entre as quais está a Boeing.

 

Quatro dias depois de anunciar a venda de armas para Taiwan, a Casa Branca confirmou o encontro entre Obama e o líder tibetano. "O presidente disse aos líderes chineses durante sua viagem no ano passado que iria se encontrar com o dalai lama e pretende fazê-lo", disse o porta-voz Bill Burton na terça-feira.

 

Para muitos governos, a pretensão chinesa de que não recebam o dalai-lama é que constitui uma interferência indevida em questões internas de seus países. Em dezembro de 2008, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, resistiu à pressão de Pequim e se encontrou com o líder espiritual. Como ele também ocupava a presidência da União Europeia na época, a China reagiu com o cancelamento da cúpula que teria com o grupo de países algumas semanas mais tarde.

 

Mas há casos em que a pressão de Pequim surte efeito. A África do Sul recusou visto de entrada no país para o dalai lama em março de 2009, quando o líder tibetano participaria de reunião de ganhadores do Prêmio Nobel da Paz em Johanesburgo.

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