China rejeita relatório crítico dos EUA sobre poder e expansão militares

Segundo chancelaria de Pequim, documento 'não favorece as relações bilaterais'

Efe

18 de agosto de 2010 | 08h41

PEQUIM - O governo da China acusou os EUA nesta quarta-feira, 18, de não respeitar seu desenvolvimento militar, após uma análise publicada pelo Pentágono sobre o poder militar chinês. Pequim ainda assegurou que o relatório americano não ajudará a "melhorar as relações entre os dois Exércitos".

 

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Segundo Geng Yansheng, porta-voz do Ministério da Defesa da China, "o relatório não respeita a realidade, critica o desenvolvimento normal da evolução militar da China" e "não favorece as relações bilaterais entre os dois exércitos".

 

Na segunda-feira, o Departamento de Defesa dos EUA afirmou em seu relatório anual sobre a China que o gigante asiático desenvolve uma capacidade de ação militar cada vez mais sofisticada contra Taiwan e expande seu poder no Mar da China Oriental e do Sul, o Oceano Índico e o Pacífico.

 

O porta-voz pediu aos EUA que "tratem de forma objetiva e justa a construção do Exército e da defesa da China, e que ponha fim as ações e aos comentários que não contribuam para uma relação de confiança entre os exércitos" e exigiu "a suspensão da publicação do relatório".

 

Taiwan é um dos maiores motivos de conflito entre os EUA e a China, já que Pequim considera à ilha parte de seu território, apesar de ter governo próprio desde 1949.

 

Pequim suspendeu os contatos militares com os EUA depois que o presidente Barack Obama notificasse em janeiro ao Congresso o plano de vender a Taiwan armamento no valor de US$ 6,4 bilhões.

 

Analistas do gigante asiático criticaram a análise do Pentágono e apontaram que os ataques contra Pequim prejudicam as relações bilaterais. "Se os EUA continuarem com essa conduta, buscando temas para atacar à China, só deve piorar a desconfiança entre os dois países", assinalou Ni Feng, subdiretor do Instituto de Estudos Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, em declarações recolhidas pela agência oficial Xinhua.

 

O relatório do Pentágono explica que "junto à preparação para uma contingência com Taiwan, o Exército de Libertação Popular (EPL) desenvolveu novas plataformas e capacidades que ampliarão seu alcance operacional. O presidente da Sociedade da internet da China, Hu Qiheng, disse que "é uma mentira dizer que a China utiliza informática para invadir a soberania de outros países".

 

Hu acrescentou que o propósito dos EUA com a publicação do relatório "é abalar a imagem da China" porque "o governo americano necessita deste tipo de retórica como desculpa para aumentar sua capacidade de guerra cibernética e conseguir o apoio do Congresso, da imprensa e do público em geral".

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