China reprime dissidentes após julgamento

O governo chinês prometeu "ataques preventivos" contra qualquer ameaça ao Partido Comunista, num discurso publicado dias depois da condenação do mais importante dissidente do país por ter criticado o partido.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

28 de dezembro de 2009 | 13h56

Em discurso proferido no dia 18, mas publicado apenas na segunda-feira pela agência estatal de notícias Xinhua, o vice-ministro da Segurança Pública, Yang Huanning, disse que o governo continua enfrentando ameaças ao seu controle, apesar do rápido crescimento econômico.

Ele citou especialmente o movimento separatista nas regiões do Tibete e Xinjiang. "Os esquemas das forças ocidentais anti-China, buscando nos ocidentalizar e dividir, a fricção e a disputa entre países, e as forças hostis provocando o caos e a sabotagem (...) continuam sendo importantes fatores que afetam a nossa segurança nacional e a nossa estabilidade social", disse Yang.

"Forças hostis" é um termo abrangente que o regime chinês costuma usar para se referir a supostas ameaças políticas contra o Partido Comunista.

Yang prometeu que as forças de segurança irão "atacar com vigor as forças hostis no país e no exterior" e "se empenhar para antever e evitar (distúrbios), realizando ataques preventivos".

Na sexta-feira, um tribunal de Pequim sentenciou o dissidente Liu Xiaobo a 11 anos de prisão por "incitar à subversão do poder estatal".

Na segunda-feira, quando Liu completou 54 anos, dezenas de ativistas pró-democracia e direitos humanos fizeram uma passeata junto ao escritório de representação de Pequim em Hong Kong, denunciando a sentença como algo "imperdoável". Os manifestantes levaram fotos do ativista e um enorme cartão de aniversário cor-de-rosa.

No domingo, ativistas vestidos como presos haviam realizado outra manifestação em prol de Liu, no posto de controle Lowu, que delimita a fronteira entre China e Hong Kong (território chinês autônomo). Policiais e agentes de imigração arrancaram os cartazes da mão dos manifestantes, e seis pessoas (quatro ativistas e dois jornalistas) foram detidos.

Liu foi condenado por ter ajudado a organizar a "Carta 08", um abaixo-assinado que cobrava reformas democráticas, e por ter divulgado pela Internet ensaios críticos ao Partido Comunista.

Entre todos os organizadores da "Carta 08", só Liu foi preso. Outros foram colocados sob vigilância policial e alertados a não se envolverem com o ativismo.

(Reportagem adicional de James Pomfret em Hong Kong e Lucy Hornby em Pequim)

Tudo o que sabemos sobre:
CHINADISSIDENTESREPRIME*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.