China retira 197 mil pessoas de área ameaçada por enchentes

Durante a semana, cerca de 5 milhões de moradores de Mianyang tiveram de ensaiar manobras de retirada

LINDSAY BECK, REUTERS

31 de maio de 2008 | 10h34

A China  retirou mais de 197 mil pessoas de uma área que corre o risco de ser inundada por rios que foram bloqueados por deslizamentos de terra perto do epicentro do terremoto deste mês, na província de Sichuan, informou neste sábado a agência de notícias Xinhua. Gritando "evacuar!, evacuar!", policiais com alto-falantes se espalharam por Youxian, nos subúrbios da cidade de Mianyang, que foi devastada pelo tremor de 12 de maio.  Veja também:Número oficial de mortos chega a 68.858 Mapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia A cidade estava quase deserta, com lojas fechadas e edifícios residenciais em silêncio, enquanto as autoridades buscavam pessoas que ainda poderiam estar em abrigos provisórios de lona levantados pelos refugiados nas margens do rio Fu. Moradores de Youxian foram obrigados a se deslocar para terras mais altas nas colinas ao redor da cidade enquanto centenas de soldados cavavam diques e canais em um esforço para reduzir a pressão do rio Fu e impedi-lo de transbordar, o que poderia inundar a região. "Não sabemos quanto tempo eles terão que ficar lá em cima. Isso depende da situação do dique", informou à Reuters um policial local, que não quis se identificar. O número oficial de mortes devido ao terremoto é de 68.977, mas esse montante deve subir, pois ainda há 17.974 pessoas desaparecidas. Autoridades disseram que mais de 30 bloqueios em rios podem se romper, inundando assim as cidades mais baixas e campos de refugiados. Uma parte importante do esforço de construção para conter os rios, uma eclusa desenhada para tirar água de um lago em Tangjiashan foi finalizada, informou Yue Xi, vice-chefe da seção de água e eletricidade da Força da Polícia Armada do Povo, à agência Xinhua. Ele afirmou que a eclusa deve começar a drenar a água entre domingo e terça-feira. Grandes comboios de caminhões foram até o local do desastre com tendas e outros suprimentos para as pessoas que deixaram suas casas. Um Airbus A-380, o maior avião de passageiros do mundo, voou até a cidade de Chengdu neste sábado com mais ajuda. Famílias ReunidasO movimento de milhares de refugiados na área do desastre, alguns deles viajando sem instruções oficiais e sem temer mais conseqüências do terremoto, continua retardando o trabalho de reunir as famílias novamente. Mais de 6 mil crianças perdidas foram levadas aos seus pais, mas 1.800 ainda não conseguiram um contato com a família ou parentes, informou a Xinhua. Em Youxian, milhares de refugiados vivem em um parque em uma parte mais alta da cidade, em tendas levantadas entre atrações e estátuas de animais. Eles disseram que esperam retornar a suas casas depois que Tangjiashan for drenado, mas não tinham certeza de que isso aconteceria. "As autoridades sabem o que está acontecendo, mas nós não sabemos exatamente o que está acontecendo", disse um homem de meia idade chamado Yao Jizhen, que vive no parque há três dias. Em uma van próxima, havia uma faixa com os dizeres: "Unam-se. Nenhuma dificuldade pode nos parar." Uma autoridade no parque disse que não havia epidemias no local, mas o departamento de saúde de Sinchuan identificou 205 casos de doenças contagiosas contraídas na área do terremoto, incluindo hepatite viral, sarampo e doenças nas mãos, pés e bocas, informou o jornal estatal Beijing News. Em Youxian, moradores remanescentes faziam suas malas para deixar a cidade. "Hoje é o último dia. Temos que partir imediatamente. Eles foram várias vezes falar isso para nós", contou Yang Zhonghai, uma mulher que tinha cerca de 50 anos que é dona de um pequeno lava-rápido. Algumas pessoas, entretanto, estavam resistindo às ordens das autoridades para deixarem a região. "Por enquanto, não estamos com medo. Quando a água começar a subir, nós vamos", disse um homem com sobrenome Shen em sua tenda às margens do rio. Em outras regiões da China, o número de mortos pelas chuvas em 12 províncias do Sul e do Leste do país, incluindo Guizhou, Hunan e Hubei, subiu para 93, com 43 desaparecidos.

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