China retira 80 mil sobreviventes por ameaça de inundações

Governo se prepara para dinamitar represa formada por escombros; número de mortos sobe para mais de 67 mil

Agências internacionais,

27 de maio de 2008 | 08h32

Oficiais da China retiraram nesta terça-feira, 27, mais 80 mil pessoas que viviam em áreas de risco diante ameaça de possíveis inundações provocadas pelos lagos que se formaram na região do terremoto que atingiu o país há duas semanas, enquanto soldados tentam abrir canais para escoar a água represada. A operação foi realizada no mesmo dia em que o governo elevou para mais de 67 mil o número de mortos pelo tremor. Mais de 20 mil pessoas ainda estão desaparecidas.  Veja também:420 mil casas desabam em abalos secundários na ChinaMapa da destruição na China Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia  Mais de 5 milhões de pessoas foram afetadas pelo terremoto. Além disso, 361.822 pessoas ficaram feridas, segundo as mesmas fontes. As equipes de emergência tentar completar a retirada das áreas perigosas até o final desta terça, e pelo menos 30 povoados foram afetados, segundo afirmou a agência estatal Xinhua.  O lago de Tangjiashan, ao norte da província de Sichuan, se formou quando uma avalanche bloqueou um rio, formando uma das frágeis represas que representam um novo risco de destruição na zona do desastre. Cerca de 1.800 soldados se preparam para dinamitar a barreira e drenar o lago. A água vem subindo de nível e, se transbordar, inundará o centro de Beichuan, cidade destruída pelo tremor. Política do filho único O governo chinês decidiu abrir uma exceção na política de filho único para pais cujo filho foi morto, gravemente ferido ou incapacitado pelo terremoto. De acordo com a Comissão de Planejamento Familiar e População de Chengdu, capital da Província de Sichuan - a mais afetada -, os pais de vítimas da tragédia (a medida vale só para eles) que desejarem ter outro filho poderão conseguir certificados nas comissões das cidades de Chengdu, Dujiangyan e Pengzhou. O governo planeja atender inicialmente 1.200 famílias, mas o número pode aumentar. A política de filho único foi lançada pelo governo no fim da década de 70 para tentar controlar o explosivo crescimento da população e assim garantir melhor educação e cuidados de saúde para todos. Casais que têm mais de um filho são punidos com multas. Segundo informações oficiais, a política já evitou 400 milhões de nascimentos, mas críticos afirmam que ela foi responsável pelo aumento de abortos. O governo decidiu abrir a exceção porque muitas famílias com apenas um filho foram afetadas pelo terremoto. O Departamento de Educação de Sichuan afirmou que 13.451 escolas foram "danificadas". Uma estimativa do governo fala em "7 mil salas de aula destruídas". Não há informações oficiais sobre quantas crianças estão entre os mortos, mas estima-se que passem de 10 mil. A agência Nova China informou, por outro lado, que há 5.948 crianças cujos pais morreram ou desapareceram.  Funcionários do governo buscavam ontem desviar a atenção da população do alto número de escolas derrubadas pelo terremoto, ressaltando o heroísmo dos professores que ajudaram no resgate de alunos. As autoridades prometeram uma inspeção das escolas em zonas de atividade sísmica e repetiram a promessa de punir os responsáveis pela construção de edifícios de má qualidade. A imprensa local deu destaque para uma foto na qual o secretário do Partido Comunista da cidade de Mianzhu, Jiang Guohua, implorava de joelhos para que pais não fizessem um protesto pela morte de 127 crianças em uma escola. "Por favor acreditem que o comitê de Mianzhu resolverá essa questão. Por favor não marchem", afirmou Jiang. No entanto, a marcha ocorreu até a sede do governo local, onde o vice-prefeito prometeu investigar o caso.

Tudo o que sabemos sobre:
Chinaterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.