China reverterá esterilizações após terremoto

Medida busca confortar os pais que perderam o único filho no desastre

Reuters e Efe, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

O governo chinês enviará uma equipe médica à área afetada pelo terremoto do dia 12 para reverter cirurgias de esterilizações para os pais que perderam o filho único no desastre, para permitir que esses casais tenham outro filho, informou ontem a agência oficial Nova China. Segundo as autoridades de planejamento familiar, a equipe dará aconselhamento e fará cirurgias e tratamento de fertilização in vitro.De acordo com a política de filho único da China, os pais que perdem seu filho ou tiveram um deficiente têm o direito de ter um segundo bebê.Pelo menos 69 mil pessoas morreram no terremoto. As autoridades da Província de Sichuan, afetada pelo desastre, estimam que mais de 7 mil dos que morreram eram filhos únicos. Os pais das 16 mil crianças que ficaram feridas também podem ser incluídos no programa, disse um funcionário do governo à Nova China.A política de controle de natalidade na China, que permite aos casais nas áreas urbanas a terem um filho e os das áreas rurais a terem dois, evitou o nascimento de 400 milhões de crianças desde seu lançamento em 1979, indicam estimativas.O anúncio da reversão de esterilizações foi feito em meio à crescente pressão dos pais para que o governo explique por que tantas escolas desabaram durante o terremoto. Engenheiros enviados pelo governo para investigar o devastador tremor disseram que o material de baixa qualidade usado nas construções contribuiu para elevar o número de mortos. Muitos pais acreditam que a corrupção na construção das escolas foi a causa da má qualidade dos prédios.ADOÇÕESO governo também anunciou que as famílias que perderam os filhos no terremoto terão prioridade para adotar as cerca de 2 mil crianças que ficaram órfãs na área afetada. Segundo uma fonte do Ministério de Assuntos Civis, a preferência será dada depois a famílias de outras regiões do país e, em último lugar, a famílias estrangeiras.As autoridades chinesas também estão oferecendo, como forma de ajudar às centenas de órfãos, a adoção temporária por várias famílias - a criança ficaria um período na casa de quatro ou cinco famílias escolhidas - e o patrocínio econômico de alguns deles. "Os cidadãos podem patrocinar ou oferecer serviços voluntários a um ou vários órfãos, oferecendo-lhes dinheiro para sua educação, tratamento médico e reabilitação", disse o Ministério de Assuntos Civis.Compensações estão sendo oferecidas para algumas famílias que perderam seus filhos. Cada casal que perdeu o único filho receberá US$ 120 ao ano, mas muitos acreditam que não têm mais nada a perder e manifestam pouco temor pelo sistema de segurança chinês. A polícia cercou as escolas que ruíram e vem impedindo os protestos dos pais dos estudantes mortos. O governo também informou que os muitos idosos que perderam suas famílias no terremoto serão transferidos para asilos.

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