Noel Celis/AFP
Noel Celis/AFP

China revisa e aumenta total de mortos por coronavírus em Wuhan

Epicentro da pandemia, região teve 1290 mortes a mais; governo chinês é criticado por 'esconder' números

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 08h39

A China, alvo de suspeitas e críticas por sua gestão da pandemia de covid-19, revisou os números e anunciou nesta sexta-feira 1.290 mortes adicionais na cidade de Wuhan, marco zero do novo coronavírus.

Os balanços oficiais chineses de contágios e mortes provocadas pelo coronavírus provocam há várias semanas diversas suspeitas, começando pelo governo dos Estados Unidos. A China havia anunciado até o momento 3.342 mortes e mais de 82 mil contágios em um país de quase 1,4 bilhão de habitantes.

Nesta sexta-feira, Wuhan surpreendeu o mundo ao elevar em 50% o balanço de mortes provocadas pelo novo coronavírus. Em um comunicado publicado nas redes sociais, a cidade chinesa de 11 milhões de habitantes explica que, no pico da epidemia, alguns pacientes morreram em casa porque não tinham condições de ser atendidos em hospitais e não foram contabilizados.

Com os novos números, o balanço de vítimas fatais na China subiu para 4.632 mortes. Desde que surgiu em Wuhan em dezembro de 2019, o novo coronavírus matou 141.127 pessoas e infectou 2,1 milhões, de acordo com um balanço da AFP, baseado em dados oficiais. 

Incerteza

Os novos números de Wuhan aumentam as dúvidas sobre o que aconteceu realmente na China quando o patógeno foi detectado e e sobre o quanto são realmente confiáveis os balanços das autoridades, acusadas de falta de transparência na gestão da crise. O presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou na quinta-feira em uma entrevista ao jornal Financial Times que há aspectos desconhecidos na gestão por parte da China da pandemia do novo coronavírus.

"Teremos que fazer perguntas difíceis sobre o aparecimento do vírus e sobre porque não pôde ser detido antes", declarou, no mesmo tom, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab. O governo chinês negou nesta sexta-feira ter ocultado os números do balanço da COVID-19.

"Nunca aconteceu nenhuma ocultação e não autorizaremos nenhuma", afirmou o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian. Zhao reconheceu "atrasos, omissões e imprecisões" nos registros de mortes no início da epidemia, em consequência da saturação dos hospitais."Mas a resposta da China à epidemia é irrepreensível", completou.

O vírus surgiu em um mercado ao ar livre de Wuhan onde eram vendidas espécies raras de animais vivos? Um laboratório chinês que estudava os coronavírus nos morcegos não respeitou os protocolos de segurança? Muitas perguntas são feitas sobre a origem do vírus.

As autoridades de Wuhan reconheceram "atrasos" e "omissões" no momento de compilar os dados em hospitais. Os números atualizados continuarão sem convencer os críticos e céticos, mas parecem suficientes para o presidente russo, Vladimir Putin, um dos poucos líderes mundiais a defender Pequim, que considerou as acusações contra a China "contraprodutivas". / AFP

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