China se diz aberta ao diálogo com Dalai Lama

A China está aberta ao diálogo com o Dalai Lama, caso ele renuncie às atividades separatistas, e reconheça que Taiwan e o Tibet são partes inalienáveis do território chinês, afirmou nesta sexta-feira, 16, o primeiro-ministro Wen Jiabao em entrevista coletiva."A porta (ao diálogo) está sempre aberta", disse Wen, que, noentanto, advertiu que a China observará "o que o Dalai diz e,principalmente, o que ele faz"."Nossa política para o Dalai Lama sempre foi clara e consistente. Isso quer dizer que, desde que o Dalai Lama reconheça que o Tibete e Taiwan são partes inseparáveis do território chinês e abandone as atividades separatistas, então a porta está sempre aberta.""Espero que o Dalai Lama seja capaz de contribuir mais para aunião nacional e o desenvolvimento do Tibet", afirmou o dirigentechinês após o encerramento da sessão anual do Congresso Nacional do Povo (Parlamento), realizada em Pequim desde o dia 5.Em suas observações sobre o líder espiritual tibetano, exilado naÍndia, o dirigente chinês lembrou que, em 1956, quando a regiãoautônoma do Tibet estava sendo organizada sob o governo comunista, o Dalai era o presidente do comitê encarregado dos preparativos."Mas agora estabeleceu um chamado governo no exílio e defende o denominado ´alto grau de autonomia´ para o Tibet", afirmou oPrimeiro-ministro.AutonomiaWen disse ainda que o Dalai Lama continua pedindo a retirada das tropas chinesas do Tibet e inclusive pede aos Han (etnia majoritária na China) e a outros povos não-tibetanos que abandonem o território."Não é difícil ver se ele realmente espera a unificação da pátria ou se está sabotando a unificação da pátria", disse Wen a jornalistas, depois de o Parlamento encerrar sua sessão anual. Porém, ao menos publicamente, o Dalai Lama nunca pediu a retirada das tropas chinesas nem da etnia Han.Vencedor do Nobel da Paz em 1989, Dalai Lama diz defender maior autonomia para sua região, mas não a independência. Em janeiro, o Dalai Lama acusou a China de usar uma ferrovia de 1.142 quilômetros - a mais alta do mundo, inaugurada em julho - para encher a região de pedintes, prostitutas e desempregados, destruindo a cultura e as tradições tibetanas.As tropas do Exército de Libertação Popular chinês ocuparam oTibet em 1951, e segundo Pequim, o regime comunista levou a região a um progresso sem precedentes, pondo fim a um regime "feudal e escravista".O Dalai Lama fugiu do Tibet para a Índia após o fim do levanteseparatista de 10 de março de 1959, e desde então vive no exílio.

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