China se manifesta contra novas sanções da UE contra o Irã

A China disse nesta sexta-feira que não aprova as novas e mais duras sanções impostas pela União Europeia contra o Irã e saudou a oferta de Teerã de retornar às negociações sobre uma troca de combustível nuclear, sem pré-condições.

REUTERS

30 de julho de 2010 | 13h04

Os ministros do Exterior da UE acordaram na segunda-feira sanções mais duras contra o Irã, incluindo ações para bloquear investimentos no petróleo e gás.

A porta-voz do Ministério do Exterior chinês Jiang Yu disse que a China ainda espera que as questões complexas que cercam as ambições nucleares do Irã possam ser resolvidas por meio de negociações.

"A China não aprova as sanções unilaterais da União Europeia contra o Irã", disse Jiang em comunicado postado no site do Ministério na Internet.

"Esperamos que todas as partes interessadas possam apoiar uma solução diplomática e resolver a questão nuclear iraniana de modo apropriado, por meio de diálogo e negociações."

A China também criticou os Estados Unidos este mês por impor suas sanções próprias ao Irã, dizendo que Washington não deveria tomar medidas como essas de modo unilateral, fora das resoluções da ONU.

Em seu comunicado, Jiang disse que saúda uma nova oferta feita pelo Irã de discutir uma troca de combustíveis para um reator de Teerã e que espera que a oferta seja útil para os esforços no sentido de resolver "a questão nuclear do Irã por meio de diálogo e negociações."

O Irã teria entregue esta semana uma carta à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dizendo que se dispõe a retornar incondicionalmente a negociações para uma troca de combustível nuclear para o reator de Teerã, que produz isótopos médicos.

A questão foi um componente central das negociações do Irã com as potências globais que terminaram em impasse em outubro passado, levando à imposição de novas sanções contra a República Islâmica.

Um acordo que fosse fechado em princípio com a Rússia, França e Estados Unidos teria levado o Irã a enviar parte de seu urânio de baixo grau de enriquecimento para o exterior, recebendo em troca bastões de combustível especial processado necessários para manter o reator de Teerã em funcionamento.

O objetivo era dirimir os receios de que o programa de enriquecimento nuclear iraniano pudesse ter por objetivo desenvolver a capacidade de produzir armas nucleares, algo que Teerã nega. O acordo se desfez em meio às exigências de emendas feitas pelo Irã.

(Reportagem de Emma Graham-Harrison)

Tudo o que sabemos sobre:
CHINASANOESUEIRA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.