China será, em 15 meses, a 2ª maior potência global

Em algum momento dos próximos 15 meses, a China deverá ultrapassar o Japão e se tornar a segunda maior economia do mundo, no mais extraordinário processo de ascensão de um país na história da humanidade. A ultrapassagem ocorrerá pelo menos cinco anos antes do que se previa anteriormente e será acelerada pelo impacto da crise financeira que abalou o mundo a partir de setembro de 2008.

AE, Agencia Estado

25 de outubro de 2009 | 09h15

As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o próximo ano colocam a China no segundo lugar do ranking de países por Produto Interno Bruto (PIB), com US$ 5,263 trilhões, acima dos US$ 5,187 trilhões do Japão.

Para alguns economistas, a troca de lugares só não ocorreu ainda em razão da persistente valorização do iene japonês, que infla o tamanho do PIB do país quando ele é convertido para o dólar. Na China, o yuan está no mesmo nível desde meados de 2008, o que limita o valor em dólar da economia.

A ascensão da China foi meteórica e levou a uma total transformação da ordem econômica existente na década passada, quando Estados Unidos, Europa e Japão tinham inquestionável ascendência na arena global. Também forçou a discussão sobre o redesenho de organizações multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial, nas quais o poder de voto da China não reflete o tamanho de sua economia.

"O sistema internacional construído depois da Segunda Guerra Mundial será quase irreconhecível em 2025 por causa da ascensão dos países emergentes, da globalização da economia, da histórica transferência de riqueza e poder econômico do Ocidente para o Oriente e da crescente influência de atores não estatais", observa o documento "Global Trends 2025: A Transformed World", publicado pelo Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos em novembro.

A China está no centro das forças que estão moldando esse novo cenário. Há cinco anos, o país aparecia em sexto lugar no ranking dos maiores PIBs do mundo elaborado pelo FMI, atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra e França. Desde então, começou uma rápida escalada, impulsionado por uma taxa média de crescimento anual de quase 11%.

Inglaterra e França já haviam sido deixadas para trás em 2006 e, no ano seguinte, foi a vez de a Alemanha abandonar o posto de terceira maior economia. O Japão está prestes a perder o lugar que ocupou nos últimos 40 anos, conquistado por seu espetacular crescimento no período pós-guerra.

Na avaliação de Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered para a China, o país provavelmente já tem o segundo maior PIB do mundo, já que 20% de sua economia está na informalidade e não aparece nas estatísticas oficiais.

Mas ele ressalta que o PIB per capita chinês continuará a ser muito inferior ao do japonês. "Isso é o que importa para a vida das pessoas e, nesse terreno, a China ainda é muito pobre", observa.

No próximo ano, de acordo com o FMI, o PIB per capita do país será de US$ 3,9 mil, um décimo dos US$ 40,7 mil previstos para o Japão. Nesse quesito, a China também está bem atrás do Brasil, que deverá alcançar US$ 8,9 mil em 2010. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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