China silencia para lembrar os mortos em terremoto

Dos acampamentos da Província deSichuan à praça Tiananmen, em Pequim, sirenes soaram e milhõesde chineses realizaram três minutos de silêncio, nasegunda-feira, a fim de homenagear as dezenas de milhares demortos pelo terremoto da semana passada.O momento de luto foi observado em todo esse país de 1,3 bilhãode habitantes, às 14h28, exatamente uma semana depois de umabalo sísmico de magnitude 7,9 ter atingido Sichuan (noroeste). "Acho que esses três minutos de silêncio foram importantesporque isso significa que todo mundo, do governo federal atécada uma das pessoas, está pensando na gente. Porque isso épior do que uma guerra", afirmou He Ling, um policial da cidadede Pingtong, destruída quase totalmente pelo terremoto. Mesmo quando os trabalhos de resgate foram interrompidos,um novo tremor de terra chacoalhou a região e provocou umpequeno desmoronamento em uma montanha próxima de Pingtong. As Forças Armadas e equipes médicas entraram em formaçãoenquanto uma imensa bandeira chinesa era hasteada por sobre umagrande pilha de destroços. O número de pessoas mortas pelo terremoto elevou-se paramais de 34 mil na segunda-feira, mas essa cifra pode aumentarbastante ainda já que o chefe do Partido Comunista em Sichuandisse que quase 30 mil chineses continuavam desaparecidos. E,segundo estimativas, há outros 5.000 ainda sob os escombros. O governo chinês calcula que os prejuízos em Sichuan apenassomam cerca de 67 bilhões de yuans (9,6 bilhões de dólares). Sirenes de bombardeio, bem como as buzinas de carros, trense navios, soaram em todo o país para lembrar a data. Bandeirasforam hasteadas a meio mastro e os cinemas receberam ordens deinterromper as projeções a fim de observar o período de luto. Em Beichuan, outra cidade devastada pelo terremoto, váriascentenas de membros de equipes de resgate curvaram a cabeça eespalharam coroas de flores feitas com galhos e pedaços depapel retirados dos escombros. "Todos estamos nos sentindo muito tristes. Foram tantas aspessoas que não puderam ser salvas", disse um soldado, ao ladodos destroços de uma escola. Em Pequim, as principais autoridades do país, comandadaspelo presidente chinês, Hu Jintao, exibiam flores brancas nalapela e curvaram a cabeça em sinal de luto. Perto dali, na praça Tiananmen, onde manifestaçõespró-democracia foram reprimidas pelo Exército em 1989, oambiente carregado transformou-se rapidamente em umademonstração entusiasmada de patriotismo. Cerca de mil pessoas com bandeiras em punho atravessaram olocal, gritando "China, China" e "Reconstruam Sichuan". Osmanifestantes também cantaram o hino nacional. Uma importante autoridade do governo disse que as equipesde resgate já tinha chegado às áreas mais remotas da Provínciana segunda-feira. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao,determinou que os soldados ingressem nos vilarejos aindadesassistidos nas próximas 24 horas. Não obstante as dificuldades, as buscas pelos sobreviventescontinuavam a ser realizadas já que muitas famílias recusam-sea abrir mão das esperanças de encontrar com vida seus parentes. Centenas de tremores pós-terremoto e condições climáticasdesfavoráveis prejudicam as operações de resgate. E, nasegunda-feira, o Ministério dos Transportes informou que maisde 200 integrantes de equipes de resgate haviam sido soterradospor enxurradas de lama nos últimos dias. Não foram divulgados ainda detalhes sobre esses acidentes.E não se sabe bem se os soterrados puderam ser resgatados comvida. (Reportagem adicional de Chris Buckley em Beichuan e de BenBlanchard, Benjamin Kang Lim e Ian Ransom em Pequim)

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