China sinaliza disposição em aceitar sanções contra Irã

A China, que tem sido contrária a novas sanções internacionais contra o Irã, deu mostras hoje de estar disposta a considerar as sanções propostas pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram dois funcionários norte-americanos, que falaram em condição de anonimato. Diplomatas dos cinco membros permanentes do CS - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e Rússia - e da Alemanha realizaram uma conferência telefônica nesta quarta-feira para discutir a aplicação de sanções.

AE-AP, Agência Estado

31 de março de 2010 | 19h05

Os dois funcionários norte-americanos disseram que, numa ligação telefônica entre autoridades do grupo, o representante chinês disse que seu país estava preparado para discutir condições específicas para potenciais sanções. Um dos funcionários disse que a China se comprometeu a discutir os detalhes de uma resolução do Conselho de Segurança e que, com base nisso, os Estados Unidos continuariam a fazer pressão para a aprovação de tal resolução.Os funcionários lembraram que isso não significa que há um amplo consenso sobre as sanções propostas pela ONU.

"Estamos num período de intenso engajamento diplomático sobre a questão, e este contato está neste contexto", disse também o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner. A China ocupa uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, tendo, portanto, poder de veto sobre as decisões do órgão e a capacidade de barrar uma nova sanção ao Irã.

A decisão pode melhorar as perspectivas de aprovação de um resolução com o objetivo de pressionar o Irã a desistir de seu programa nuclear. Segundo Teerã, o programa se limitada ao desenvolvimento de energia nuclear para propósitos pacíficos, e não para construção de armas nucleares, como acusa parte da comunidade internacional.

A discussão aconteceu uma semana depois de uma conferência telefônica similar da qual a China participou, após semanas de conversações estagnadas. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse ontem que esperava a aprovação das sanções contra o Irã no prazo de algumas semanas, o que parecia um tanto ambicioso, tendo em vista a relutância da China em sequer discutir sanções específicas.

O governo Obama espera aprovar a resolução até o final de abril. A secretária de Estado Hillary Clinton não falou publicamente sobre uma agenda específica, mas nos últimos dias ela parece mais otimista sobre as chances de conseguir que a China concorde que novas penalidades são necessárias para pressionar o Irã. O Conselho de Segurança já aprovou três rodadas de sanções contra a República Islâmica por causa de sua recusa em paralisar seu enriquecimento de urânio. Com informações da Dow Jones.

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