China suspende negociações com Coréia do Norte

A China, anfitriã do diálogo multilateral para o fim do programa nuclear da Coréia do Norte, anunciou nesta quinta-feira, 22, a suspensão temporária das negociações, diante da inesperada saída do negociador norte-coreano, Kim Kye-gwan.O negociador chinês, Wu Dawei - vice-ministro das Relações Exteriores da China -, pediu "recesso" no diálogo e deu por encerrada a primeira fase da sexta rodada, poucas horas depois de o norte-coreano ter abandonado a mesa de negociações. Desde o início das reuniões, na segunda-feira, a Coréia do Norte evitou debater o acordo fechado em fevereiro para fechar seu principal reator nuclear até meados de abril. O país exigiu primeiro a transferência dos US$25 milhões congelados em um banco de Macau para uma instituição de Pequim. O enviado norte-coreano, Kim Kye-gwan, não falou com repórteres no aeroporto, mas uma fonte do governo da Coréia da Norte em Pequim afirmou: "Nossa delegação foi embora porque não houve progresso sobre a prometida transferência de fundos." Exasperado, o enviado norte-americano, Christopher Hill, disse que o atraso na transferência do dinheiro do Banco Delta Asia (BDA), de Macau, para uma conta norte-coreana no Banco da China seria resolvido rapidamente. "O dia em que eu puder explicar o raciocínio norte-coreano provavelmente será o dia em que já estarei neste processo por muito tempo", disse ele a repórteres ao partir para um encontro com o representante chinês, Wu Dawei. Apesar da estagnação das reuniões nos últimos dias, nos quais Pyongyang negou-se a falar da desnuclearização, Wu disse que o diálogo foi "muito produtivo" e que as seis partes (Japão, as duas Coréias, Rússia, EUA e China) decidiram uma nova reunião em breve, em data ainda não decidida. "As partes concordaram em dar uma pausa e vão retomar as negociações na oportunidade mais próxima para continuar a discutir e formular um plano de ação para a próxima fase", disse o comunicado. Diplomatas demonstraram frustração. "É realmente um desperdício, principalmente porque todos estão reunidos", disse em Tóquio o secretário de gabinete do Japão, Yasuhisa Shiozaki. O enviado russo, Alexander Losyukov, também foi para o aeroporto e afirmou que o Banco da China recusou-se a aceitar a transferência e uma fonte diplomática disse que a China não quer participar do envio de "dinheiro sujo" de volta para a Coréia do Norte. Problema com bancoNo ano passado, Washington acusou o Banco Delta Asia, que continua sob sanção do Tesouro dos EUA, de ter ajudado a Coréia do Norte em atividades ilegais, como lavagem de dinheiro procedente do contrabando de armas e falsificação de dólares.O dinheiro, que ficou bloqueado durante 19 meses por ordem dos EUA e foi uma causa de forte tensão, não pode ser transferido devido à recusa do Banco da China em aceitá-lo, disse o negociador russo Alexander Losyukov.A Coréia do Norte diz que só retomará as negociações quando os US$25 milhões congelados foram liberados.No entanto, fontes próximas às conversas disseram à imprensa estrangeira que o problema é que as contas estão no nome de cidadãos norte-coreanos que já morreram ou que não moram em Macau, onde fica a sede do Banco Delta Ásia.Ao serem consultados, representantes do banco não quiseram confirmar este ponto. Uma fonte da Autoridade Monetária de Macau disse à imprensa estrangeira que o polêmico dinheiro poderia chegar hoje ao Banco da China.Outras informações, procedentes da agência sul-coreana "Yonhap", indicam que as autoridades de Macau estão tendo problemas para identificar os proprietários de 50 dessas contas norte-coreanas.Muitas delas estão no nome de diretores da companhia norte-coreana Zokwang Trading Co., registrada em Macau, segundo a mesma fonte.Já o Banco da China disse ainda nesta quinta-feira, 22, que não foi consultado para aceitar a transferência do dinheiro para a Coréia do Norte. "Não posso dizer sobre esta situação pois não fomos consultados sobre a transferência", afirmou o presidente do banco, Li Lihui.O diálogo foi suspenso em um momento vital, quando faltam menos de 30 dias para terminar o prazo para a Coréia do Norte fechar e lacrar seu reator de plutônio em Yongbyon, em troca de 50.000 toneladas de petróleo pesado.

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