China teme ´baby boom´ apesar da política do filho único

Os demógrafos chineses temem que o país passe por um "baby boom" nos próximos anos, apesar da política do filho único, que impera na China desde o fim dos anos 70, informa a agência estatal Xinhua, nesta sexta-feira, 20.A política que proíbe os casais chineses de terem mais de um filho foi instaurada para impedir a superpopulação do país. No entanto, há exceções. Casais em que tanto a mãe quanto o pai não tenham irmãos podem gerar dois filhos.As primeiras gerações de filhos únicos, atualmente na faixa dos 20 anos, começam agora a se casar. Grande parte deles entra nos critérios das exceções. Isto pode produzir um novo aumento dos índices de natalidade, segundo os especialistas em controle demográfico."Nosso trabalho de manter a taxa de natalidade em níveis baixos está mais difícil", afirmou Zhang Weiqing, diretor da influente Comissão Estatal de População e Planejamento Familiar.A China baixou para 1,8 a taxa de fertilidade (filhos por mãe) nas últimas décadas. Mas com as mudanças sociais e a aplicação das exceções, o indicador já se aproxima dos dois filhos por casal. Atualmente, a média é de 1,87.Pesquisas em Pequim mostram que a terça parte dos novos casais jovens quer dois filhos. Durante séculos, a cultura chinesa considerou uma farta descendência como "bênção celestial".A população chinesa, atualmente de 1,3 bilhão de pessoas, poderia ter hoje 300 a 400 milhões de habitantes a mais sem a política do filho único, segundo os cálculos da Comissão Estatal.

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