, EDWARD WONG, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h06

O general birmanês Min Aung Hlaing chegou na segunda-feira a Pequim, onde foi recebido pelos mais altos escalões do governo chinês. Em uma semana normal, reuniões como essa seriam rapidamente registradas e esquecidas. Mas a visita ocorreu apenas dois dias antes da programada chegada a Mianmar da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Para a pesquisadora Mu Gengyuan, do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, a visita do general birmanês serviu para tranquilizar Pequim antes da visita histórica de Hillary a Mianmar.

Os interesses de Pequim em Mianmar incluem oleodutos de petróleo e gás natural que estão em construção, acesso ao Oceano Índico e a estabilidade de regiões fronteiriças, onde eclodiram choques étnicos entre militares birmaneses e grupos guerrilheiros.

O comércio entre a China e Mianmar atingiu US$ 5,3 bilhões no ano passado, e a China é o maior investidor estrangeiro no país, com US$ 15,8 bilhões em investimentos. Por isso, os chineses observando atentamente os sinais dos EUA para os líderes de Mianmar.

Vozes conservadoras nos círculos militares e de política externa chineses agora falam regularmente de tentativas americanas para cercar a China, apesar das negativas de autoridades americanas.

Em uma viagem pela região, há duas semanas, o presidente Barack Obama anunciou que estava enviando 2.500 militares à Austrália. Ele também se uniu a líderes asiáticos em um questionamento do premiê chinês, Wen Jiabao, sobre as pretensões expansionistas de Pequim no Mar do Sul da China.

Alguns países asiáticos, como o Vietnã, manifestaram receio com a crescente influência da China. Mianmar tem sido mais circunspecto. Mas a suspensão pelo governo birmanês, em 30 de setembro, de um projeto de uma barragem de US$ 3,6 bilhões com financiamento chinês chamou a atenção de Pequim.

"O incidente envia um claro sinal à China", disse Mu. "O governo de Mianmar manifestou um forte desejo de modificar suas relações com os EUA e a Europa pelo temor de se tornar excessivamente dependente da China e virar um Estado vassalo." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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