Kim Kyung-Hoon / Reuters
Kim Kyung-Hoon / Reuters

China teme risco de o país ‘ficar velho antes de ficar rico’

Mudança da diretriz de controle de natalidade para uma política de dois filhos foi adotada ao fim de reunião da cúpula do PC chinês

Claudia Trevisan , CORRESPONDENTE / WASHINGTON

30 Outubro 2015 | 00h00

WASHINGTON - Os números e o ritmo de evolução da “bomba demográfica” chinesa assombram as autoridades de Pequim, que há anos temem o risco de o país ficar velho antes de se tornar rico. A mudança da diretriz de controle de natalidade para uma política de dois filhos foi adotada ao fim de reunião da cúpula do Partido Comunista para discutir os princípios que vão orientar o desenvolvimento do país nos próximos cinco anos. 

Entre as justificativas para a alteração estava a necessidade de enfrentar o desafio do envelhecimento populacional. A taxa de crescimento natural da população chegou ao “nível de reposição” já em 1993.

Mas esse não é o único problema gerado pelo controle de natalidade. A política de filho único, adotada em 1975, também agravou o desequilíbrio sexual na população chinesa, em razão do aborto seletivo de fetos do sexo feminino. 

Com uma população total atual estimada em 1,357 bilhão de pessoas, a China tem pelo menos 34 milhões de homens a mais que mulheres e o número deverá chegar a algo entre 40 milhões e 50 milhões até metade do século, calcula Valerie Hudson, especialista e professora da Escola Bush de Governo e Serviço Público, no Texas. A taxa de fertilidade divulgada pelo governo em 2012 estava em 1,66 filho por mulher.

“O encolhimento da força de trabalho e a anômala proporção entre os sexos provocam grave preocupação na China”, disse Hudson ao Estado. 

A professora também considera a mudança importante, mas insuficiente, e alerta que seu impacto só será sentido no longo prazo. “As gerações que se tornarão adultas nos próximos 20 anos já nasceram.” 

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