China tenta abrir estradas em meio a inundações e réplicas

Número oficial de mortos passa de 68 mil; tempestades ameaçam região atingida por terremoto

Associated Press e Efe,

28 de maio de 2008 | 11h22

O governo chinês manteve os esforços nesta quarta-feira, 28, para manter abertas as estradas usadas para levar suprimentos aos sobreviventes do terremoto que atingiu o sudoeste do país. As inundações provocadas pela chegada da temporada de chuvas e as réplicas do forte tremor se tornam agora o maior risco para os desabrigados, enquanto o número de mortos subiu para 68.109, e outras 19.851 pessoas permanecem desaparecidas.   Veja também:Inundações deixam 50 mortos no sudoeste da China Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia     "Estamos correndo contra o tempo para reparar a infra-estrutura" disse o vice-diretor da Comissão Estatal de Desenvolvimento e Reforma da China, Mu Hong, que afirmou ainda que o desbloqueio de algumas estradas é temporário. "O risco de deslizamentos e rompimentos de barreiras dificultam ainda mais os trabalhos".   Os reparos na infra-estrutura são apenas parte do esforço de reconstrução. Funcionários do governo calculam que o processo todo para reparar os danos causados pelo terremoto deve demorar três anos, na província de Sichuan. "Por causa da grande magnitude da perda resultante do terremoto, a recuperação da produção e a reconstrução da região atingida pelo terremoto serão árduas em um futuro próximo", afirmou a comissão em comunicado.   As chuvas torrenciais castigam desde a terça-feira as províncias do centro, sul e sudoeste do país, e já causaram a morte de mais de 50 pessoas, deixando outras 26 desaparecidas e quatro mil isoladas. Agora, o principal temor das autoridades é de que essas chuvas atinjam odo o sudoeste da China - onde está Sichuan, província onde se localizou o epicentro do terremoto e a mais atingida pelo tremor - o que a Administração Chinesa de Meteorologia acredita ser muito provável.   Na área do desastre, 158 mil pessoas foram retiradas de suas casas e dezenas de vilas, esvaziadas. O motivo para parte das retiradas é o temor de que o recém-formado lago Tangjiashan inunde uma vasta região antes que soldados e engenheiros possam drená-lo, informou a mídia estatal nesta quarta-feira. O lago fica a pouco mais de três quilômetros da devastada cidade de Beichuan. Quarenta máquinas, entre elas escavadeiras, trabalhavam no local, inacessível por terra. Helicópteros ajudavam na operação, relatou a agência estatal Nova China.   A imprensa estatal informou que o governo alocou 200 milhões de yuans (US$ 28,6 milhões, ou R$ 47,8 milhões) para enfrentar o problema dos lagos. Na montanhosa província de Sichuan formaram-se 34 lagos, com 28 deles correndo o risco de rompimento e conseqüentes enchentes em algumas regiões.   No Japão, funcionários locais informaram que a China autorizou a entrada de soldados para o trabalho de ajuda. Esse seria o primeiro envio significativo de tropas japonesas ao território chinês desde o fim da Segunda Guerra Mundial.   O Japão invadiu a China e estabeleceu um governo fantoche na região da Mandchúria em 1932. Em seguida conquistou outras regiões chinesas até ser derrotado pelos Aliados em 1945. A relação bilateral entre China e Japão melhorou recentemente. Pequim liberou a entrada de funcionários humanitários e médicos de vários países. A medida difere da abordagem adotada até então pelo país, que preferia lidar sozinho com esse tipo de situação e evitava permitir essas entradas.

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