China tenta conter abortos de bebês do sexo feminino

A China lançou hoje um alerta sobre o crescente desequilíbrio entre os sexos na população do país, prometendo melhorar a proteção oferecida às meninas e aumentar a punição para quem fizer abortos com base no sexo no bebê. As medidas salientam a crescente preocupação dos líderes chineses quanto à ampliação do vácuo entre os gêneros na população, em virtude da tradicional preferência para o nascimento de crianças do sexo masculino e às políticas que pregam que os casais devem ter apenas um filho, o que fez do aborto um método amplamente utilizado para controlar o tamanho das famílias.O desequilíbrio é um "perigo escondido" para a sociedade que vai "atingir a estabilidade social", afirmou a agência de notícias Xinhua, citando uma declaração divulgada conjuntamente pelo Partido Comunista (no poder) e pelo Conselho do Estado, o gabinete de governo chinês. A declaração afirmou que as pessoas que "conduzem o teste ilegal para verificar o sexo do feto e abortos com base na escolha do sexo do bebê devem enfrentar sérias punições". A declaração também afirmava que a proteção aos bebês do sexo feminino deve ser melhorada, punindo aqueles que os matam, abandonam ou machucam.Não foram divulgados detalhes. De acordo a agência Xinhua, em 2005, para cada 100 nascimentos de meninas, registrou-se o nascimento de 118 meninos. Em algumas regiões, os números atingiram a marca de 130 nascimentos de meninos para cada 100 meninas. Nos países industrializados, a média é entre 104 e 107 meninos para cada 100 meninas. O uso de ultra-som ou de outros métodos para determinar o sexo do feto é proibido na China, mas os médicos que o fazem normalmente enfrentam apenas punições administrativas, não acusações criminais. Muitos desses exames são conduzidos por profissionais autônomos que se deslocam de vilarejo em vilarejo carregando um aparelho ultra-som.

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