China tenta reduzir tensão entre Coreias por ataque a navio

Premiê chinês evita condenar Pyongyang por suposto envolvimento no caso e defende [br]caminho diplomático

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / PEQUIM

O premiê da China, Wen Jiabao, afirmou ontem que a prioridade da comunidade internacional deve ser evitar um conflito na Península Coreana, região que vive sob tensão crescente desde o dia 20, quando a Coreia do Sul acusou o Norte de ser responsável pelo ataque que há dois meses afundou o navio de guerra Cheonan e matou 46 marinheiros sul-coreanos.

"O que é mais urgente agora é dissipar o impacto do incidente, reduzir a tensão e, acima de tudo, evitar um confronto", declarou o premiê chinês na Coreia do Sul, onde participou de reunião que também incluiu o Japão.

À diferença dos líderes da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, e do Japão, Yukio Hatoyama, Wen evitou condenar o regime de Pyongyang pelo suposto ataque e defendeu o caminho da diplomacia para solução do conflito.

Durante encontro bilateral que tiveram na sexta-feira, Lee pediu a Wen que tenha um "papel ativo" em convencer a Coreia do Norte a admitir sua responsabilidade no ataque e punir os responsáveis. Wen afirmou que seu país analisará a investigação que aponta o Norte como responsável pelo ataque ao Cheonan para decidir o que fazer "de maneira justa e objetiva".

A Coreia do Sul anunciou na semana passada a interrupção de quase todo o comércio com o Norte e a suspensão dos investimentos no país vizinho. Nos próximos dias, o presidente Lee Myung-bak apresentará ao Conselho de Segurança da ONU um pedido de aplicação de sanções internacionais contra Pyongyang, que nega a acusação e diz que irá à guerra caso seja alvo de sanções. Apesar do agravamento da tensão, Daniel Pinkston, do International Crisis Group, considera bastante improvável um confronto militar aberto entre os dois lado. Segundo ele, uma guerra provocaria danos "extremos" para o mundo e não apenas para as duas Coreias.

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