China terá grupo de viés conservador no comando

Novo chefe do PC, Xi Jinping terá mais poder que seu antecessor ao assumir país em março

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2012 | 02h02

Continuidade e conservadorismo são a marca do grupo de sete homens que vão dirigir a China pelos próximos cinco anos sob a liderança de Xi Jinping, apontado ontem como chefe máximo do Partido Comunista e da maior organização militar do mundo, que reúne 2,3 milhões de soldados. Ele assumiu o posto com mais poder que seu antecessor, Hu Jintao, que esperou dois anos pela transferência da chefia das Forças Armadas.

Em tese, isso lhe dará mais respaldo para conduzir o país em um momento de desaceleração econômica, aumento das tensões sociais e desgaste da imagem do partido em razão de escândalos de corrupção.

Xi Jinping, de 59 anos, comandará a China ao lado do advogado Li Keqiang, de 57, que entrou ontem em segundo lugar na fila de apresentação dos sete integrantes do novo Comitê Permanente do Politburo, o órgão de cúpula do Partido Comunista. Na simbologia de Pequim, a ordem revelava a posição de cada um na hierarquia.

Ambos dividirão o poder com cinco homens, todos mais velhos (mais informações nesta página). Como o partido prevê aposentadoria de seus líderes aos 70 anos, esse grupo sairá do Comitê Permanente do Politburo dentro de cinco anos, no próximo congresso da organização, quando Xi Jinping e Li Keqiang ganharão novos "camaradas" para seu segundo mandato.

Dois "jovens" reformistas cotados para integrar o grupo foram preteridos: Wang Yang, de 57 anos, idealizador do mais liberal "Modelo de Guangdong", e Li Yuanchao, de 61, diretor do Departamento de Organização do partido. "Os mais velhos tiveram prioridade e os mais novos terão de esperar", afirmou o analista político Chen Ziming, para quem a liderança anunciada ontem é claramente "conservadora".

Na avaliação de Bo Zhiyue, da Universidade Nacional de Cingapura, a nova composição do comando chinês reduz as chances de reformas de longo prazo. "Será difícil para eles adotar planos para além de 2017."

Existe uma pressão crescente em setores da sociedade chinesa por reformas na área política que aumentem o espaço para expressão de vozes divergentes e limitem a ação do partido. Do lado econômico também há forte defesa da retomada do processo de reforma e abertura, com o objetivo de reverter o movimento de expansão da influência do Estado registrado na gestão de Hu Jintao. "Isso é uma transição, não uma transformação", escreveu o analista político Russel Moses em coluna na edição online do Wall Street Journal. Em sua opinião, o resultado reflete a vitória dos que são favoráveis à ampliação do papel do Partido Comunista em setores que vão da economia à cultura.

O novo Comitê Permanente do Politburo demonstra ainda a influência do ex-presidente Jiang Zemin, antecessor de Hu Jintao, e o poder dos "principezinhos", o grupo formado por descendentes de revolucionários que participaram da guerra civil ao lado de Mao Tsé-tung - são quatro entre os sete. "Os principezinhos acreditam que o país naturalmente pertence a eles", observou o analista político Zhang Lifan, filho de um ex-ministro.

O maior expoente entre eles é Xi Jinping, filho de Xi Zhongxun (1913-2002), que entrou no Partido Comunista em 1928, sendo da primeira geração de líderes.

O único aliado de Hu Jintao na cúpula do partido anunciada ontem é Li Keqiang, que integra a facção da Juventude Comunista. Liu Yunshan divide sua lealdade entre os dois ex-presidentes.

A facção dos principezinhos sofreu um revés com o escândalo que levou à expulsão do partido de Bo Xilai, filho de Bo Yibo, chefe militar revolucionário que integrava o grupo de aconselhamento de Deng Xiaoping conhecido como "Oito Imortais". Preso desde março, Bo Xilai aguarda julgamento sob acusação de corrupção e abuso de poder.

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