REUTERS/Esam Omran Al-Fetori
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China torna-se 3º maior vendedor de armas do mundo

Venezuela, Paquistão e Mianmar são os principais clientes da indústria militar chinesa, segundo relatório do Sipri

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S. Paulo

16 Março 2015 | 18h39

GENEBRA - A China supera todos os países europeus e passa a ser o terceiro maior fornecedor de armas do mundo. Os dados foram publicados nesta segunda-feira, 16, pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri, sigla em inglês) e revelam que, em 2014, apenas EUA e Rússia permaneceram diante dos chineses como os maiores exportadores de armas. O Brasil não aparece entre os dez maiores do mundo.

Segundo o levantamento, em apenas quatro anos, Pequim deixou França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha para trás e hoje representa 5% do fornecimento de armas do planeta.

Em apenas cinco anos, a alta nas vendas chinesas foi de 143%. A média mundial foi de apenas 16% nesse mesmo período. As exportações de armas da Alemanha caíram em 43% e as vendas francesas sofreram uma contração de 27%.

Segundo os especialistas, um dos motivos das altas nas vendas chinesas é a recusa de países ocidentais de vender para certos governos. Não por acaso, o maior cliente de armas chinesas hoje é o Paquistão, rival da Índia na região que comprou 41% das exportações de Pequim. "Muitos países ocidentais se recusam a exportar para o Paquistão com temores de que podem ofender a Índia", declarou o coronel aposentado do Exército chinês, Yue Gang.

Segundo ele, a China ainda não teria os mesmos "complexos políticos" que seus rivais no mercado. "Pequim não discrimina compradores", declarou.

Nesse período, o contrato mais lucrativo da China foi a venda de 50 caças para o Paquistão. Outro importante comprador foi a Venezuela, com importações de mais de US$ 480 milhões; 28% das vendas chinesas foram para Bangladesh e Mianmar.

Mas o mercado africano é cada vez mais adepto de armas chinesas, principalmente depois que Pequim passou a investir de forma pesada no continente. No período avaliado, 18 governos africanos compraram armas chinesas.

Mas não é só a venda para esses governos que tornou a China a terceira maior fornecedora de armas. Investimentos bilionários fizeram da indústria chinesa uma das mais competitivas e modernas. Em paralelo a isso, as importações de armas estrangeiras para a China caíram em 42% em cinco anos.

Em 2000, a China era o maior importador do mundo. Hoje, já deixou o posto para indianos e sauditas.

Apesar da expansão chinesa, as empresas americanas ainda fornecem 31% de todas as armas do mundo, contra 27% no caso dos russos.

Caracas. Se a China se destaca entre os maiores exportadores, os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro promoveram um dos maiores saltos em termos de compra de armas e a Venezuela terminou 2014 como um dos maiores importadores de equipamentos militares do mundo.

Hoje, a Venezuela importa mais armas que o Iraque. Os volumes também são superiores aos do Egito, que acaba de passar por mais um golpe de Estado, e da Indonésia.

Se em 2002 a Venezuela era apenas a 46.ª maior importadora do mundo, hoje é a 14.ª, com 2% de todas as compras internacionais.

Segundo o levantamento do instituto, apenas o governo dos EUA importa mais armas nas Américas que a Venezuela. Em dez anos, foram mais de US$ 5,1 bilhões em importação. Mas só em 2013 essas compras chegaram a US$ 1,1 bilhão.

Nos períodos entre 2002-2006 e 2007-2011, a alta foi de 555% com o fornecimento principalmente de armas russas e chinesas.

Brasil. O levantamento não inclui o Brasil entre os maiores exportadores do mundo e ainda apresenta o País como o terceiro maior importador das Américas.

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