China usa foto na internet para acusar dissidente de pornografia

Após tentar indiciar Ai Weiwei por sonegação fiscal, Pequim faz nova acusação a projetista de estádio olímpico

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h06

O governo chinês abriu uma nova frente de ataque ao artista Ai Weiwei e passou a investigá-lo sob a acusação de pornografia, por causa de uma foto na qual ele e quatro mulheres aparecem nus. O inquérito foi iniciado na quinta-feira, dois dias depois de o dissidente ter depositado garantia de US$ 1,3 milhão para poder contestar administrativamente a multa de US$ 2,4 milhões que lhe é cobrada por suposta sonegação de impostos.

A foto foi tirada em meados do ano passado pelo assistente de Ai Weiwei, Zhao Zhao, interrogado anteontem pela polícia. "Eles me disseram que a foto é pornográfica e me perguntaram se Ai Weiwei sabia que essa era uma foto pornográfica", disse Zhao ao Estado. Em entrevista à agência de notícias France Presse, o artista afirmou que "nudez não é pornografia".

Zhao foi informado pela polícia que a eventual punição de Ai Weiwei dependerá do número de usuários da internet que clicaram no link da imagem, publicada pelo artista em sua conta pessoal no Twitter e no Weibo, a versão chinesa de microblogs.

Crítico do governo, Ai Weiwei recebeu no dia 1.º a notificação para pagar os US$ 2,4 milhões em 15 dias, prazo que venceu quarta-feira. A cobrança produziu uma onda de solidariedade ao artista, que recebeu US$ 1,4 milhão em doações de 30 mil chineses, em um ato de desafio a Pequim.

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